Narrativas científicas

Conto de Jennifer Egan, confirmada para a Flip deste ano, publicado na edição especial de ficção científica da revista New Yorker

A edição de 4-11 de Junho da New Yorker é todinha sobre ficção científica. Traz contos de Jennifer Egan, Junot Díaz, Sam Lipsyte, Jonathan Lethem, etc, e relatos em primeira pessoa de Ray Bradbury, William Gibson, Anthony Burges (autor de Clockwork Orange e de quem fui fã por muito tempo), Ursula K. Le Guin, China Miéville, Margaret Atwood, Karen Russell.

Jennifer Egan participará da programação principal da Flip 2012, com mesa 11 confirmada para 12h, no sábado dia 07 de julho. A conversa é com Ian McEwan, e embora os ingressos para a Tenda dos Autores estejam esgotados, a Tenda do Telão é uma opção (compras na Tickets for Fun ou durante a Flip, em Paraty).

No conto, Black Box, no sul da França, os homens são Designated Mates e as mulheres, beauties. E espiãs de algum lugar da América são enviadas para segui-los, satisfazê-los e gravar todas as conversas que possam ter, através de uma extensão eletrônica do corpo orgânico. Quando as mulheres cedem aos desejos dos homens, acionam a chamada Dissociation Technique, em que alma e corpo se dissociam, e a mulher só retorna ao fim do ato, dizendo-se sempre: “Lembre-se de que se trata de um sacrifício por sua pátria e você não está sendo paga por este trabalho”. Ao fim do conto — ainda não decidi se gostei ou não — a técnica dissociativa entra em cena outra vez, mas numa situação muito diferente.

Gosto, especialmente, da narrativa de Bradbury (grande autor de sci-fi, falecido em 06 de junho — aqui, A Man Who Won’t Forget Ray Bradbury, texto de Neil Gaiman publicado no site do The Guardian sobre o escritor). Não posso dizer que já li muita coisa dele, mas é o tipo de escritor que volta e meia reaparece na minha vida — comecei a gostar de ficção científica há pouquíssimo tempo, em 2004-2005 provavelmente, quando fiz meu projeto de jornalismo sobre o futuro da informação. Em Take Me Home, que mal ocupa uma página, ele volta à primeira fase de sua paixão com a ficção científica e conta qual foi a inspiração para um de seus contos, The Fire Balloons, infelizmente indisponível eletronicamente — quem sabe um dia todos os livros estarão no Kindle…

When I look back now, I realize what a trial I must have been to my friends and  relatives. It was one frenzy after one elation after one enthusiasm after one  hysteria after another. I was always yelling and running somewhere, because I  was afraid life was going to be over that very afternoon.

Impossível escolher um ou outro trecho, pois são todos muito bons: “I would go out to that lawn on summer nights and reach up to the red light of  Mars and say, ‘Take me home!’ I yearned to fly away and land there in the  strange dusts that blew over dead-sea bottoms toward the ancient cities“.

E então ele conta como a relação com o avô foi costurando a fantasia sci-fi e 25 anos depois, escreveu uma história que era na verdade um tributo a “essas noites com o avô”. A literatura sci-fi só entrou na minha vida muito tarde, mas lembro-me de dias, noites, na casa de praia de minha vó, andando pela praia e pedindo que um avô imaginário me ajudasse a conferir algum sentido a tudo o que estava ao meu redor.

2 ideias sobre “Narrativas científicas

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