Arquivo mensal: julho 2012

Uma Carta de Amor; Guia aleatório de Paris; Uma Estrangeira na França

O famoso restaurante La Palette, em Paris. Fica cheio a tarde toda, e as mesas estão oficiosamente reservadas para os habitués

Tenho falado com a equipe do Kindle Direct Publishing todos os dias. No último e-mail, eles me disseram que detalhes sobre o formato do meu Kindle Book só serão acertados mesmo uma vez submetido o manuscrito (ele pode ficar até 72h em aprovação). Minha intenção era publicar Uma Estrangeira na França em português, e alguns contos também em francês. Mas agora já não sei mais, pois traduzir todo o livro para o francês daria muito trabalho, e me impediria de cumprir o prazo que estipulei para a publicação (bom, pelo menos para o envio à Amazon): 17 de agosto, véspera da minha viagem para a Europa. E é bem possível que a Amazon desaprove esse sistema aleatório de tradução.

De qualquer forma, decidi publicar aqui (abaixo) um desses mini-contos. Intitulado Uma Carta de Amor, foi um dever nosso para a aula de Atélier d’Écriture. A inspiração é um sonho que tive. Publicarei a primeira versão traduzida por aqui, logo, logo.

Estou organizando os textos, quase uma colcha de retalhos de minha viagem à Europa. Ainda não há uma divisão definida, mas quero falar dos encontros (rencontres), das viagens e lugares (ie, há um texto para Montpellier, outro para Paris, outro para Nîmes, para a Provença, para Antibes, assim como outras cidades europeias que visitei no período, Londres e Madri), e da ficção cultivada por lá. A maioria dos textos está pronta, falta organizá-los numa unidade, ou então o pessoal da Amazon vai me barrar (os self-authors precisam definir 2 categorias para seus livros. Relatos de viagem e ficção?).

O texto sobre Paris, por exemplo, será um mini guia aleatório, começando com a minha chegada à cidade em luz em outubro de 2010. Embora estivéssemos em pleno outono, fazia um belo dia de primavera, e eu que tinha visitado Paris pela (única e) última vez em 1995, não sabia sequer me deslocar na cidade. Perdi mais de 1h perdida pelo metrô, até que decidir andar, de mala e cuia, do Pont Neuf até a papelaria Sennelier, passando pelo Musée D’Orsay, pelo restaurante La Palette, por todo o bairro de Saint Germain. Foi lindo e inspirador. Comi e bebi um rápido vinho em cada um dos cafés inflacionados, só de turistada, depois fui andando pela Rue de Rivoli, passando pela Place de L’Ópera, pela Place Vendôme, até chegar ao meu hotel na Madeleine. E eu, que havia chegado em Montpellier dizendo que não moraria em Paris por nada desse mundo, já estava deslumbrada.

Une Lettre d’Amour

J’ai rêvé de toi.

Tu es arrivé un beau matin. Tu es entré. Tu as monté les escaliers. À l’étage, tu m’as trouvée dans la chambre, à droite. Tu y es entré. Tu t’es assis sur mon lit. Moi, je me peignais devant le miroir.

Je ne dis rien, je ne me tourne pas vers toi.

En prenant mon vieux cahier, tu commences à lire. Tu lis longtemps mais je n’écoute rien. Je regarde le vent qui joue avec tes cheveux, tes yeux châtaigne qui deviennent verts sous la lumière orange. Je souris derrière mon maquillage, à travers le miroir. Je pense à toi.

Tu arrêtes de lire, tu te lèves, tu fermes les fenêtres, tu éteins les lumières. Tu te déshabilles et tu marches vers moi, lentement. Tu me dis : « Dis-moi ‘je t’aime’ », et je te le dis. « Déshabille-toi. ». Et je me déshabille.  Et, finalement, on s’allonge sur le lit.

Le temps passe vite mais on n’allume jamais de lumière. Tu sais tout ce que je pense et moi, je devine tes envies. « On vit dans l’ombre ! », me dis-tu, « On a supprimé le concept de la lumière ». Je ris. Le temps passe vite et un matin je me lève, je m’assois devant le miroir. Que j’ai vieilli ! Ma peau est devenue toute grossière. Mes yeux sont ceux d’une vieille !

Je vais te chercher sur le lit. Toi aussi, tu as blanchi. Je te touche le cou mais tu ne respires plus.

Horrifiée, je me réveille.

Je sors de la chambre et, en parcourant la maison, j’allume toutes les lumières. J’ouvre toutes les fenêtres. Qu’il fait beau ! Ah si j’avais eu plus de temps, si j’avais pu te regarder vieillir. Si j’avais pu vivre plutôt que deviner !

Et là, je rentre dans notre chambre et je te vois, aussi jeune que la première fois. Alors, je me souviens : tu n’es arrivé qu’hier soir.

« Il fait beau», me dis-tu en souriant.

Para quem quer publicar ou ler no Kindle:

Guia Simplificado para Publicar no Kindle

Baixe o Kindle App no computador, na App Store ou

Compre o Kindle Touch na Dabee a R$ 296

Como você é pago

Como funcionam os royalties

Kindle Bilíngue; Como baixar aplicativo Kindle

Kindle Touch da Amazon. Imagem disponível no site

Já é possível publicar livros bilíngues a partir da plataforma Kindle. Descobri hoje pela manhã, quando a Amazon respondeu à minha pergunta sobre o assunto. No ano passado, havia feito a mesma consideração, mas por algum motivo a resposta foi negativa.

Para quem quer publicar no Kindle e tem facilidade para escrever em inglês, a recomendação é publicar edições bilíngues inglês e português, por exemplo. Como a versão original de muitos de meus contos franceses é em francês, ainda não tomei nenhuma decisão a respeito de Uma Estrangeira na França.

Abaixo, instruções para baixar o aplicativo Kindle para Mac, PC, iPhone e Android. Os aplicativos funcionam como o Kindle Reader, e o catálogo de livros é idêntico. Para quem quer comprar o eReader, recomendo comprá-lo na Dabee. Quem não tem pressa, pode selecionar a opção “Comprador paga alfândega”, que reduz bastante o valor. Uso o Kindle há um ano e meio e acho que não tem nada melhor para ler.

Kindle for Mac

Kindle for PC

App Android

App iPhone – baixe direto na App Store!

Nota pós-publicação: fiz uma pesquisa mais detalhada e descobri que o formato bilíngue disponível normalmente se organiza da seguinte forma: livro no original primeiro, então tradução (como na versão em inglês de O Noviço). Estou verificando com a Amazon se seria possível fazer como nos livros bilíngues em papel: francês e português, lado a lado.

Publicando no Kindle; Uma estrangeira na França

Foto tirada por meu pai em junho 2011, à noite, em Cannes. O efeito “tarde de verão na Riviera Francesa” deve-se ao uso de alguns softwares de fotografia. A imagem deve servir de capa para o livro.

Nas próximas semanas publicarei meu livro através do Kindle Direct Publishing da Amazon. Depois de anos e anos adiando o dia em que reuniria meus trabalhos para enviar para uma editora, finalmente decidi que publicaria um ebook. As belas edições em papel podem ter seu charme mas hoje leio mesmo é no Kindle e não faria o menor sentido publicar, primeiro, em papel. Além disso, fica bem mais emocionante desse jeito pois você cuida de tudo, dos parágrafos à arte da capa, organizando seu livro do jeito que quer.

O livro, no momento intitulado Uma Estrangeira na França, será publicado em Português e terá entre 5 e 10 mil palavras. Os capítulos (ou mini contos) são parte ficção, parte relato, e estão diretamente relacionados ao período em que vivi na França. Havia pensado em publicar uma um conto de ficção, mas a história francesa é mais urgente.

O livro já está todo formatado e, uma vez revisado, o upload deve ser rápido.

Aliás, para escritores interessados em publicar na plataforma Kindle, basta seguir as instruções neste guia da Amazon, Building your Book for Kindle. As instruções são bem didáticas e fáceis de seguir e, uma vez formatado, seu livro não dará mais trabalho. (Qualquer atualização, que no mundo dos livros em papel implicaria numa reimpressão, aqui leva só alguns minutinhos).

Além disso, vários idiomas são suportados pelo programa. Português, Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Italiano, Catalão, e até as línguas Galega e Basca. Infelizmente, ainda não é possível publicar em formato bilíngue, mas a equipe do Kindle disse que trabalha para isso*.

O pagamento é feito em cheque (quando o saldo chega a 100 USD) ou diretamente numa conta americana. Hoje, os escritores de língua inglesa têm uma série de vantagens, como por exemplo participar do fundo específico da KDP e ter suas obras escolhidas como Kindle Single. Mas, para começar, o melhor mesmo é jogar o preço do livro lá embaixo e ver o que acontece. Normalmente, escritores brasileiros publicando obra original devem ter royalties de 70% nos países onde a Amazon está presente e 35% sobre as vendas no Brasil.

Boa sorte a todos nós!

*: sim, já é possível. O formato é uma incógnita. Veja os posts Kindle Bilíngue; Como Baixar Aplicativo Kindle e Uma Carta de Amor; Guia Aleatório de Paris; Uma Estrangeira na França.

Giorgio Vasari, Kindle Single e o Aspartato de Magnésio

Foto do escritor, historiador, pintor e arquiteto Giorgio Vasari disponível no site Wikipedia. Vasari viveu no séc. XVI e foi imortalizado por sua biografia de artistas renascentistas, Le Vite de’ più eccellenti pittori, scultori, ed architettori

Quando fui a Roma pela primeira vez, em 2008, minha vó me emprestou um paperback surrado. Tratava-se do The Lives of the Artists, principal livro de Giorgio Vasari, uma espécie de multi-biografia dos principais artistas renascentistas, com histórias deliciosas de Michelangelo e Da Vinci, entre muitos outros (infelizmente Bernini nasceria em 1598, anos depois da publicação do livro, em Nápoles e não na Florença). Vasari era contemporâneo de muitos deles, e embora algumas das anedotas sejam meioo fictícias, tornou-se a bíblia da Pintura Renascentista. A edição antiga da Penguin só listava os principais e estabeleci como meta comprar o livro lá na Itália.

Encontrei-o numa pequena livraria, voltando da Piazza Navona, em versão original e integral em italiano. Comprei-o, toda orgulhosa de mim, mas tive de devolvê-lo no dia seguinte, a pedido de minha vó — o livro era pesado demais e, bem, em italiano. Consegui comprar uma edição nova e em inglês, da Penguin, saindo do Museu Ufizzi alguns dias depois. Mas o livro de papel sofreu alguns acidentes nos últimos anos e estava atrás de uma edição que sobrevivesse às marcas do tempo. Ontem comprei, finalmente, a edição Kindle, por apenas $ 5,24. Os principais artistas, 36 deles, estão ali. Recomendo!

Comecei ontem, finalmente, depois de uma tarde inteira passando mal por causa do Aspartato de Magnésio, a escrever o conto que publicarei através do Kindle Direct Publishing. A Amazon já anunciou que virá para o Brasil no fim do ano (leia post relacionado), então imagino que a negociação com as editoras brasileiras já esteja em fase final. Mais títulos brasileiros (e em português) significa mais usuários brasileiros na base de clientes Kindle, e consequentemente uma nova alternativa para os novos escritores do país. Lá fora, o Kindle Single, por exemplo, é rentável e promovido pela própria Amazon. Aqui, pode virar mania (os livros precisam passar pelo crivo da Amazon para ingressarem na categoria. Veja aqui).

Minha ideia consiste em adaptar algo que escrevi há 1 ano e meio em inglês e depois reescrevi em francês. Embora o enredo seja bom, está mal escrito. A nova versão em português deve corrigir alguns problemas, mas ainda não tem título. Em inglês, intitulei-a Sphere, em francês, Sporatte. Quero escrever entre 500 e 1.000 palavras por dia e prometo dar notícias sobre o progresso por aqui.

Londres, Roma e um livro misterioso

Hampton Court, em Londres. Foto publicada na Wikipedia

Ontem à noite terminei de ler o livro misterioso e inédito, enviado por um amigo escritor. Definitivamente, o livro mais estranho e mais estranhamente bonito que já li. Um romance curto, de menos de 200 páginas, na categoria ficção/fantasia. Consegui transferi-lo para o Kindle e fui lendo-o ansiosamente nos últimos dias, sem saber direito como reagir a ele. Apaixonei-me imediatamente por alguns personagens, outros, detestei apaixonadamente. Gostei do oceano — sim, o livro tem um oceano — e do menino, livresco, tímido, fantasioso, que tem muito de mim quando era mais nova.

Lembrei de minha infância obtusa mas fantástica e, como disse ao escritor por e-mail, foi como sair de um sonho de outra pessoa, e lembrar de tudo perfeitamente. Tomara que seja lançado logo, aí escrevo aqui de novo, mencionando mais detalhes da história. Já se tornou meu livro preferido desse escritor, o que mais “conversa” comigo. E é impossível parar de lê-lo, por isso interrompi a leitura (sofrida porém maravilhosa) de Rodrigué.

E já tem mais um livro na fila. Ontem conversei com minha vó longamente por telefone, em antecipação à viagem a Londres (e Europa) que faremos em Agosto. Ela sugeriu que eu lesse Sarum, de Edward Rutherfurd. Trata-se de uma obra de ficção histórica publicada em 1987 — bem recente — que fala sobre a história da Inglaterra através dos olhos de representantes de famílias de Salisburg. Como só fui descobrir ontem, o nome Sarum é uma corruptela de uma abreviação antigamente usada para Salisburg que acabou ficando pra história. Nem comecei a ler ainda, mas como foi recomendado por minha vó, só pode ser boa coisa.

Iremos também para Roma, por isso Le Voyage à Rome, do historiador Pierre Grimal, já se encontra na mesa de cabeceira. O livro foi publicado recentemente — não consigo encontrá-lo em nenhuma lista de obras do autor — mas Grimal é um dos mais respeitados especialistas em Roma Antiga. Comprei o livro em Montpellier, pensando numa futura oportunidade de viagem, mas nunca o li. Fui a Roma em 2008 e lá fiquei por mais de 15 dias, uma viagem maravilhosa que me permitiu conhecer cada pedacinho da cidade. Roma encontra-se do lado oposto de Londres. É colorida, ensolarada, quente em todos os sentidos. Já estou na contagem regressiva para a viagem.

Nota: Só chegando em casa para descobrir que Voyage à Rome abrigava todos os livros de Pierre Grimal sobre Roma: La Rome Antique, Vivre dans La Rome Antique, L’Âme Romaine, Promenades Romaines, Guide: Nous Partons pour Rome. Comecarei por este último.

Mais um ano

Moulin Rouge de Henri de Toulouse-Lautrec, 1891

As leituras ficaram comprometidas nos últimos (e emocionantes) dias. Sexta, uma antecipação do aniversário no sábado, dia lento e gostoso. Comemoração no almoço e no jantar, numa mesa na varanda, para potencializar o frio paulistano. Presentes emblemáticos; uma cópia de uma lupa de Praga, que eu vinha namorando nos últimos anos, e uma luminária em cubo com reproduções de pinturas que amo, O Beijo, de Klimt, La Goulue-Moulin Rouge do pintor e ilustrador parisiense Henri de Toulouse-Lautrec (descendente direto dos condes Toulouse, no sul francês) e Absinthe Robette, de Privat Livemont. Pode-se ler sobre esses cartazes emblemáticos da Belle Époque parisiense aqui, Um Olhar de Descoberta na Paris da Belle Époque, ensaio semi-fictício com o olhar do estrangeiro sobre a Paris daquela época.

Esses cartazes acompanharam-me muito durante o séjour francês. O  Ambassadeurs – Aristide Bruant de Toulouse-Lautrec, conheci através de um amigo, fã do artista. Mas em Paris, às margens do Sena, na Rive Gauche, apaixonei-me definitivamente por esses cartazes, cartões postais, ilustrações. Agora tenho um pouquinho deles na minha casa.

Sábado foi meu almoço de aniversário, apenas para alguns amigos, mas dá para dizer que entre um dia e outro, tive a melhor comemoração da minha vida. Servimos Cassoulet, homenagem indireta ao 14 Juillet, e muitos queijos, brigadeiros, bolos, caipiroskas. Foi meu cumpleãnos, um ano de Brasil, de Tomás, de muitas coisas boas; de vestido branco. Mais um ano, como no belo filme Another Year de Mike Leigh. Um ano que mudou tudo.

Continuo lendo Pénélope, mas ontem tive uma grande surpresa ao receber um livro inédito de um amigo. Não posso dizer do que se trata, nem quem é o autor, mas vou intercalar as duas leituras durante a semana e quem sabe escrever alguma coisa aqui depois.

Uma retrospectiva literária do mês de julho

Fim de tarde na praia do Porto da Barra, onde meu avó morreu em julho de 1981. Foto tirada em 2009

Mais de um ano de Brasil e de leituras variadas. Logo que voltei, ainda estava na expectativa de me inscrever no Mestrado em Francês na USP em agosto de 2011, e andava para cima e para baixo com os livros da bibliografia exigida. Queria falar sobre o estrangeiro, mas não sabia se escolhia Literatura, Língua ou Tradução, então acabei comprando todos os livros indicados. Li pelo menos algumas páginas de cada um deles, que são muitos, com atenção especial para Antoine Berman, uma preciosidade quase literária do mundo acadêmico, Edmond Jabès e seu Estrangeiro com um Livro de Pequeno Formato Debaixo do Braço, que acabou cruzando minha lista sem querer, pois era citado em vários dos livros, e claro, George Steiner, meu grande ídolo, que escreve deliciosamente em qualquer língua e cujo After Babel estava me esperando em casa logo que voltei (na França, optei por lê-lo na biblioteca mesmo, e ainda passei por apuros quando o moço não me deixou “alugar” 3x seguidas).

Tem também Derrida, e seu texto sobre Babel que até hoje não entendo direito (Des Tours de Babel) e cuja xérox está lá na minha sala. Tem Beckett, em francês e inglês, que comprei e baixei e culminou com a peça que fomos ver lá em Paris, Oh Les Beaux Jours, no Théatre de la Madeleine. Camus, que Tomás me emprestou naquele finzinho de julho passado, e tornou-se o ícone do meu estrangeiro (e do meu amor).

Aos poucos, fui me libertando e abocanhando toda e qualquer literatura. Wilkie Collins e sua Woman in White, seu Moonstone. Um escritor que já devia ter lido há tempos e foi cair no meu colo logo em julho de 2011, mês tão emblemático. Devorei seus livros no Kindle como se não houvesse amanhã, lendo no escuro no meio do apagão em nossa antiga casa em Perdizes. Baixei todas as palestras de Richard Feynman, certa de que me tornaria mais inteligente — como naquele dia em que, em pleno desespero, usei a equação de Einstein para calcular a distância do tempo de ausência de alguém que amava. Tornei-me, também uma curiosa na literatura sobre esquizofrenia. Henry’s Demons é brilhante, Recovered Not Cured nem tanto, e Making Sense of Madness exemplifica, planifica, conceitualiza tudo o que já imaginei sobre o assunto mas não tinha competência acadêmica para organizar. Freud e Jung de volta em A Most Dangerous Method e Studies in Hysteria, a trilogia Millenium, tão apreciada pelos franceses, e a minha primeira biografia: Steve Jobs. Ficção científica, rapidamente, com o lindo, emocionante Never Let Me Go e os Bradburies e Wells de todo dia. Novos velhos escritores — James Agee, Charles Bukowski, George Sand — e a descoberta de um dramaturgo-ator, Steven Berkoff. George Steiner nos intervalos de uma e outra coisa, Sandor Márai, e agora, a Pénélope de Emilio Rodrigué.

Depois desse retorno ao meu país, à Bahia, ao amor que ainda não conhecia (ou conhecia?), decidi que os anos deviam começar no mês de julho, meio-caminho entre a minha chegada, no dia 23 de junho, e o primeiro encontro com Tomás, em 28 de julho. Como começou em 1981, com o meu nascimento no dia 14 de julho, cinco dias depois do falecimento de meu avô. Ele havia dito: “Hoje vou ficar na praia até o sol se pôr”. É como se aquela tarde triste tivesse se estendido até o ano passado, e em 28 de julho de 2011 um novo dia tivesse nascido.