Amazon (+ consumidor) x Apple, editoras, livrarias etc

Capa da New Yorker de 25 de junho, que só chegou na minha casa agora. Pode?

Recebi hoje, com atraso, a New Yorker de 25 de junho (isso mesmo), mas encontrei uma reportagem que não tinha visto na edição online: Paper Trail: Did Publishers and Apple Collude Against Amazon?

A matéria, de Ken Auletta, é excelente, e embora não esteja aberta para não assinantes, vale a compra (pelo próprio site da New Yorker). Ainda que o autor simpatize ligeiramente com a premissa das editoras e livrarias, os argumentos são muito bem equilibrados e o texto é rico em possibilidades. A grande questão gira em torno de algumas medidas adotadas por Apple e editoras para combater os preços “predatórios” (e baixos) praticados pela Amazon. Na justiça, a Amazon e o consumidor saíram ganhando.

Será que isso compromete o mercado? Qual o futuro do livro? (Depois entra em jogo outra questão, sobre a briga dos gigantes Amazon, Apple, Google, Microsoft e Facebook, que exigiria um novo post).

Outro dia passei uma hora conversando com um dono de editora brasileira. Perguntei por que ele acreditava no modelo de papel (como chamo o tal “agency model”) e ele me respondeu que não acreditava no eBook. Contra-argumentei que se o modelo tradicional era tão bom, havia de ter outros aspectos positivos além dos defeitos do alternativo. E ele me disse: não precisa recarregar.

Na França, na Universidade de Montpellier, fomos obrigados a escrever sobre o assunto umas três vezes, com argumentos literários, filosóficos, práticos, mas a verdade é que ninguém, nem professores indignados nem editoras preocupadas com o lucro, conseguiu me dizer de onde veio a ideia de que uma alternativa exclui a outra, necessária e progressivamente. O livro de papel não vai acabar, mas não vai mesmo. Seu fim tem sido anunciado desde a criação do fonógrafo e até agora não vingou. Mas o próprio mercado de livros já se reinventou várias vezes. Os paperbacks, que continuam respondendo por uma grande fatia do mercado, acompanharam uma evolução da pirâmide sócio-econômica. Com o eReader, o livro deve chegar a mais gente (isso mesmo), e os ebooks devem comer mercado do paperback. Nada mais natural e melhor para os leitores. Continuarei comprando lindas edições em papel, em capa dura, que ficarão para filhos e netos, mas vou ler mesmo é no Kindle (ou em outro eReader, se inventarem algo melhor).

Agora, considerando o Kindle Direct Publishing, um ponto vale a reflexão. Entre outros argumentos, diz-se na matéria que o agency model financia(va) os escritores profissionais, que recebiam adiantamento pela obra e podiam se concentrar exclusivamente na escrita, e assim produzir livros de qualidade. Isso é verdade, mas não são todos os escritores que gozam dessa oportunidade desde o início. E, quem sabe, a Amazon um dia poderá oferecer a mesma coisa. O que importa é que o escritor, como o leitor, ganha novas alternativas. As próprias editoras poderão comprar, diretamente do marketplace da Amazon, os direitos para publicar a obra impressa, pagando para royalties para Amazon e escritor, numa transação 100% online. E se o mercado se torna mais competitivo, ele também cresce…

Uma ideia sobre “Amazon (+ consumidor) x Apple, editoras, livrarias etc

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