Novas janelas (e narrativas), Os enamoramentos de Javier Marías

Os enamoramentos, Companhia das Letras (2012). Edição brasileira do livro Los Enamoramientos, de Javier Marías, publicado em 2011.

Recebi hoje o livro Os Enamoramentos, de Javier Marías. Lançado neste mês pela Companhia das Letras, o livro foi considerado o melhor de 2011 pela Babelia, suplemento cultural do principal jornal espanhol, El País.

Ainda não comecei a ler mas já me conquistou. A protagonista María Dolz, madrilenha e funcionária de uma editora, cria uma narrativa a partir de um casal que observa à distância, todos os dias. Sua ficção muito pessoal se desconstrói quando o homem morre e ela passa de voyeur a personagem. “A última vez que vi Miguel Desvern ou Deverne foi também a última vez que sua mulher, Luisa, o viu, o que não deixou de ser estranho e talvez injusto, já que ela era isso, sua mulher, e eu, ao contrário, era uma desconhecida e nunca havia trocado uma só palavra com ele” dá início ao livro, narrado em primeira pessoa.

Pensei em Laura y Julio, de Juan José Millás, que comprei no El Corte Inglés, em Madri, quando fui lá pela primeira vez, em 2008. A novela provocou em mim sensações profundas. Julio, recém-separado de Laura, vai viver no apartamento do vizinho, um amigo em comum do casal. Manuel está em coma, no hospital, e Julio, aos poucos, sem acender nenhuma luz, começa a se apropriar de sua vida, suas roupas, seu computador, e acaba lendo cartas escritas por sua ex-esposa e dirigidas a ele. Julio decide responder a uma dessas cartas e o triângulo amoroso virtual tem um desfecho muito interessante. Por meio do outro, Julio consegue voltar a si mesmo.

Pensei, também, em Mientras Ellas Duermen, também de Marías, e já comentado aqui. As obras de Marías parecem repletas de janelas prontas para construir realidades alternativas, ficciones. Nos dias de hoje, esses jogos de espelho que nem sempre refletem a verdade podem ser transpostos para as atividades em mídias sociais. Tanto acompanhamos sem viver diretamente! Como María, que “por uns dias, depois da viagem, sentiu falta do casal, apesar de saber que não viria”.

***

Ah! O livro vem com um mimo para o leitor: O Coronel Chabert, que integra A Comédia Humana de Balzac e é considerado uma das referências literárias para Marías neste livro. Para comprar na Livraria Cultura, clique aqui.

Oba, dois livros novinhos para ler. Vou levá-los para Juquehy neste fim-de-semana. Notícias em breve.

2 ideias sobre “Novas janelas (e narrativas), Os enamoramentos de Javier Marías

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