Arquivo mensal: dezembro 2012

Agatha Christie, a rainha do crime

Encenação de And Then There Were None com Jennifer Wilson como Miss Brent. Foto do site http://www.freewebs.com/colinbaker

Encenação de And Then There Were None com Jennifer Wilson como Miss Brent. Foto do site http://www.freewebs.com/colinbaker

Não lembro quando comecei a ler Agatha Christie, mas sempre fui fã da escritora. Meu primeiro livro foi O Assassinato de Roger Ackroyd, depois passei a outros, ora com Poirot, ora com Miss Marple, culminando em sua peça mais brilhante, The Mousetrap. Um de meus filmes favoritos, Testemunha de Acusação, é baseado num conto de mesmo nome da autora (depois adaptado para o teatro). Nunca li. A versão de Billy Wilder, com os deliciosos e impecáveis Charles Laughton, Marlene Dietrich, Tyrone Power e Elsa Lanchester, é insuperável e pretendo me manter fiel a ela. Por enquanto.

Na última sexta-feira, estava procurando um livro de literatura fácil e grande estilo, aquele tipo de história que te prende desde o primeiro minuto e não larga nunca mais, que você lê mesmo quando vai jantar com amigos. Escolhi a versão Kindle de After the Funeral (vendido também em bancas e livrarias de São Paulo em sua versão L&PM Pocket a um preço baixinho). Fui conquistada logo na largada. A narrativa começa com o mordomo Lanscombe, que sintetiza tudo aquilo que esperamos de um mordomo na literatura. Ele prepara a casa para o funeral e faz algumas reflexões, rápidas, sobre a mudança dos tempos. Aí a história começa. A família rica e decadente, os irmãos e sobrinhos de moralidade oscilante, o sempre fiel executor e amigo da família Sr. Entwhistle, são peças excelentes e complementares no grande jogo de Christie. E temos um bônus, uma certa personagem irretocável, que me faz pensar em irresistíveis personagens literários, como aquele coadjuvante onipresente nos filmes de Hitchcock. Tudo com muita classe.

Quando terminei de ler na manhã de domingo fui logo contar a Tomás quem era o assassino. Bom, talvez não tenha dito exatamente quem era, mas revelei o gênero, o que ele não gostou nada. Horas depois me senti orfã de Christie (e de Poirot). Tinha três ou quatro livros candidatos numa lista no Kindle mas ontem decidi ler And Then There Were None, que não tem Poirot mas em compensação é considerado um dos melhores AC.

Li o livro numa única noite, e quando terminei, lá pelas 2 horas da manhã, estava tão apavorada que não consegui dormir. Já conhecia visual e sensorialmente todos os pedaços da Soldier Island e da mansão do U.N.Owen, e talvez nunca consiga esquecer a canção “de ninar” Ten Little Solider Boys:

Ten little soldier boys went out to dine;
One choked his little self and then there where Nine.

Nine little soldier boys sat up very late;
One overslept himself and then there were Eight.

Eight little soldier boys travelling in Devon;
One said he’d stay there and then there where Seven.

Seven little soldier boys chopping up sticks;
One chopped himself in halves and then there were Six.

Six little soldier boys playing with a hive;
A bumble bee stung one and then there were Five.

Five little soldier boys going in for law;
One got into Chancery and then there were Four.

Four little soldier boys going out to sea;
A red herring swallowed one and then there were Three.

Three little soldier boys walking in the Zoo;
A big bear hugged one and then there were Two.

Two little soldier boys sitting in the sun;
One got frizzled up and then there was One

One little soldier boy left all alone;
He went and hanged himself

And then there were None.

O melhor Agatha Christie. Sem dúvida. Ou talvez os outros sejam tão bons quanto. Livro bom é assim: você lê em uma só noite.