Arquivo mensal: março 2013

O Livro de Coquetéis do Hotel Savoy

Moscow Mule e White Russian, dois clássicos. O primeiro tem uma versão deliciosa no Brasserie des Arts, em São Paulo. E a história do segundo remete ao famoso Hotel Savoy, em Londres...

Moscow Mule e White Russian, dois clássicos. O primeiro tem uma versão deliciosa no Brasserie des Arts, em São Paulo. E a história do segundo remete ao famoso Hotel Savoy, em Londres…

Sou uma grande fã do seriado Mad Men e mal posso esperar para começar a nova e sexta temporada no próximo dia 7 de abril. Para criar um clima de antecipação — como se precisasse, é a melhor série da TV paga e ainda assim a AMC gosta de deixar a gente esperando — o canal criou uma ótima estratégia de posts no Facebook. Todo dia, publicam foto e receita de algum dos mais famosos coquetéis mundo afora. Cuba Libre, Martini, Negroni, Vodka Gimlet — uma versão da caipirinha — White Russian, o delicioso Moscow Mule, apenas para citar alguns. Don Draper e seus colegas de Madison Avenue gostam principalmente de vodca e uísque, mas se a ideia é celebrar o coquetel, não vejo por que não.

Há alguns dias encontrei por acaso o livro The Savoy Cocktail Book, considerado a bíblia dos drinques. O barman Harry Craddock iniciou sua carreira nos anos 20, mas com a Lei Seca precisou fez as malas para Londres e foi trabalhar no Bar Americano, no luxuoso Hotel Savoy. O resto é história. Um coquetel bem famoso, o White Russian ou Russian, como era conhecido na época — bebida preferida do Grande Lebowski — foi criação dele. Outros não constam de sua lista no nome atual, mas o livro dá muito o que falar — e experimentar. Minhas escolhas geralmente oscilam entre a caipirinha e o gin tônica, mas há alguns meses tive o prazer de provar o Moscow Mule no Brasserie des Arts, aqui em São Paulo. Achei maravilhoso. E já gostei muito dos Martinis docinhos e do clássico Dry — a versão do Astor é sensacional. Andava com um caderno Moleskine anotando todas as minhas experiências. O Negroni, por exemplo, é uma bebida tipicamente masculina e uma vez, em um bar, um homem veio me perguntar se eu realmente sabia o que havia pedido.

O livro vale muito a pena, mas não vai ser tarefa fácil encontrá-lo. Achei por acaso, numa das lojas Le Lis Blanc do D&D. Logo na introdução, uma história possível sobre a origem do nome coquetel. Tudo teria começado num encontro entre um general do exército americano e o rei Axotol do México. Uma bebida seria servida mas vendo que só havia um copo, a filha do rei, de nome Coctel, teria contornado a situação embaraçosa bebendo todo o líquido. Achei o máximo coquetel ser um nome de mulher.

No Mad Men Cocktail Guide, dá para encontrar as receitas — em inglês — de alguns dos mais famosos coquetéis do mundo. E no site da Vodca Absolut, as receitas são em português, como a do Moscow Mule:

Ingredientes

  1. 2 Partes de ABSOLUT VODKA
  2. 1 Parte de Suco de Limão
  3. Cerveja de gengibre
  4. 1 Pedaço de Limão

Como misturar este coquetel

Encher um copo alto resfriado com cubos de gelo. Adicionar ABSOLUT Vodka e suco de limão. Completar com cerveja de gengibre. Decorar com limão.

Comentário sobre o Universo (e além)

Jim Holt com uma xícara de café -- que ele tanto aprecia...

Jim Holt com uma xícara de café — que ele tanto aprecia…

Foi uma resenha publicada há mais de seis meses que animou o meu dia hoje. “Why Does the World Exist“, de Jim Holt, foi lançado no meio do ano passado, mas por algum motivo só fiquei sabendo do livro hoje, em uma crítica de Dwight Garner, do New York Times (leia aqui). Depois de dois ou três parágrafos, já tinha certeza de que se tornaria um de meus livros preferidos do ano, e exatamente aquilo que eu vinha buscando. Lembrei na mesma hora de almoços filosóficos com a família, que ainda acontecem às vezes, mas eram muito frequentes há uns 10 anos. Meu pai nos colocava a par das mais recentes descobertas da ciência, das obras mais vendidas de física quântica, e leigos que éramos (e somos), nós retrucávamos em pé de igualdade. Houve uma época da minha vida, talvez dos 20 aos 25 anos, em que só a física quântica ou a sua filosofia muito particular me trazia paz. Minhas ficções emanavam todas de gordos livros de capa dura de cientistas do show biz americano e eu tinha os sonhos mais espetaculares à noite. Uma vez sonhei que conversava com Einstein. E, no dia seguinte, passei a tarde toda com um livro de Richard Feynman, calculando, em distância, o tempo que me separava de um certo homem.

Esse uso arbitrário da literatura científica pode até não ser muito nobre, mas cumpria com o que acredito ser o dever principal da ciência: provocar a imaginação.

Dwight, por exemplo, não é inteiramente elogioso a Holt, mas a verdade é que se diverte inclusive quando parece repreender o hedonismo do autor. E o fato de Holt gostar tanto de descrever suas refeições ou sucumbir sem muita resistência ao champanhe provavelmente o aproxima mais da resposta primordial.

*

O blog fez um ano no dia 15 e eu não escrevi um único post comemorativo. Tampouco vim aqui avisar que a Amazon já começou a vender o Kindle Paperwhite — o melhor eReader de todos os tempos, sem sombra de dúvida — aqui no Brasil. É caro — a versão Wifi custa R$ 479 — mas acho que vale a pena para quem não viaja muito. Para quem está curioso, é só clicar no link — os pontos de venda são Ponto Frio e Livraria da Vila.

*

Um update rápido sobre os livros — estou lendo Emmas, de Alessandro Baricco, em francês. E gostando demais. O tema do livro parece ser o mesmo de The Sense of an Ending, uma das obras que eu mais gostei de ler nesse ano.

Não consegui terminar The Falls. Ainda.

Costurando o vestido de dentro para fora

Grace Kelly de noiva. A mulher mais bonita que já pisou nesse planeta

Grace Kelly no dia do seu casamento com Rainier III, Príncipe de Mônaco. A mulher mais bonita que já pisou nesse planeta

Estou apaixonada por alguns livros, todos eles de papel. Vogue Weddings Brides Dresses Designers é um colírio para os olhos e para a alma, com fotos deslumbrantes de Grace Kelly, Kate Moss e Carolyn Bessette Kennedy — em seu vestido de seda perolada absolutamente impecável, de Narciso Rodriguez — e os textos de Vera Wang.

Identifiquei-me logo no prefácio, quando ela diz que no início pretendia se casar com um vestido simples, que tivesse mais a ver com a sua personalidade, mas acabou desenhando um modelo completamente diferente, e a comemoração, inicialmente para 40 pessoas, teve mais de 600 convidados. “Você acaba percebendo que [a festa] não é apenas para vocês dois, mas também para todos que amam vocês, para a família e para os amigos que estão ali por amor e respeito”.

Muita coisa mudou desde o início dos anos 90, quando Vera Wang começou seu negócio de vestidos de noiva. Mas nada mudou no papel que o Vestido desempenha nessa história toda. “Depois do anel, vem o vestido”. E foi assim comigo também, logo eu, que nunca havia pensado sobre a minha festa de casamento por mais de um minuto. E quando eu pensava, geralmente parava depois da primeira frase pois meu desejo era um só. “Se um dia eu me casar, vai ser em Itacimirim”.

Voltei da Europa, da nossa viagem de noivado, e comecei a busca pelo vestido e, de certa forma, pela noiva. Passei a ter preocupações totalmente novas, cuidados extremamente femininos que havia desprezado durante a vida toda. Nunca acessei tantos tutoriais na Internet nem li tanta bula de pílula. Nunca fui a tantos médicos. Esse mundo inteiramente novo não era privilégio da noiva, mas de uma mulher qualquer de 25-35 anos. Era como se o meu vestido estivesse sendo costurado de dentro para fora. E a literatura “bridal”, as incontáveis revistas e sites de casamento, abriam-me para uma outra realidade fictícia, um conto de fadas adaptável e delicioso porque efêmero. Fiquei fascinada com os longos e pesados vestidos e com as noivas magras, lindas e tão maquiadas. Mas não durou muito tempo. Nos últimos dias, folheando o famoso livro da Vogue, publicado no fim do ano passado, senti que revivia histórias em pílulas, como com a literatura mais curta ou a fotografia, de que gosto tanto. E se eu conseguia me identificar rapidamente com aquelas mulheres e com aqueles momentos, no fundo sentia mais uma vez que era diferente de todas elas, pois elas ansiavam pelo momento em que trocariam a camisola pelo Vestido de Noiva, e eu sempre quis a vida que começa depois dele. É o que faz esse momento tão delicado e sensível valer muito a pena.

*

Os outros livros que me encantaram são The Savoy Cocktail Book, um achado na loja Le Lis Blanc do Shopping D&D, Paris, de Robert Doisneau e Hitchcock, de Truffaut, que eu ainda nem li, mas recomendo veementemente a quem quiser escutar.

O filme perdido de Hitchcock

hitch

Hitchcock na abertura de um dos episódios de Alfred Hitchcock Presents

Se descobri o cinema com Kubrick, foi por causa de Hitchcock que me apaixonei pela sétima arte.

Gosto de todos os filmes dele, dos clássicos ingleses aos hollywoodianos, dos mais “cabeça” aos mais divertidos, dos preto-e-branco aos coloridos com technicolor. Foi graças a suas brilhantes adaptações que conheci alguns escritores e obras sensacionais — como John Buchan e seu The Thirty-Nine Steps. Mas a grande diferença em relação a Kubrick é talvez o fato de eu gostar de Hitchcock a qualquer hora do dia.

Tenho revivido emoções do diretor inglês. Aproveitando o lançamento do filme Hitchcock, com Anthony Hopkins e Helen Mirren, agora em cartaz em São Paulo, a Livraria Cultura promoveu uma noite só com seus clássicos. Não fui, mas resolvi assistir, em DVD mesmo, a dois filmes que adoro. Marnie, por causa de Sean Connery e de uma Tippi Hedren impecável, por seu conteúdo sexual e controverso para a época. Rope porque se trata de um filme perfeito. Filmado em longas sequências em uma única locação e quase sem edição, faz parte do cinema teatral e envolve uma experimentação bem ousada. Fiquei sabendo de sua existência em uma edição especial da Scientific American sobre o Tempo, que acaba de ser reeditada. Em uma das reportagens, Antonio Damasio avalia que, embora o filme de Hitchcock tenha apenas 80 minutos, a duração para o espectador é de pelo menos 105 minutos, proeza que ele conseguiu com seus efeitos de câmera.

Redescobri The Paradine Case, que não tinha visto até agora. Não me entusiasmei tanto, mas Alida Valli está sensacional, e Louis Jourdan, de uma beleza quase indecente para a película em preto e branco. Com a Apple TV, começamos também a ver episódios da série de TV de Hitch, “Alfred Hitchcock Presents“. Vimos o primeiro capítulo, Revenge, com Vera Miles — mais linda do que nunca — e Into Thin Air, também chamado de The Vanishing Lady — uma alusão ao excelente filme que ele fez para as telonas, The Lady Vanishes. Então resolvemos pular para um episódio da terceira temporada, Lamb To The Slaughter, baseado no conto homônimo de Roald Dahl, um de meus textos preferidos. Perfeição pura.

Revimos Janela Indiscreta e Dial M for Murder, duas obras fantásticas com a deslumbrante Grace Kelly — em um dos extras, um dos envolvidos na filmagem diz que ali estão as tomadas mais bonitas já feitas de um rosto feminino. E eu concordo.

Por tudo isso, devo dizer que gostei do Hitchcock com Hopkins, mas para mim ninguém nunca poderá representá-lo de verdade. Nos últimos anos, a minha relação com o cinema foi marcada pela descoberta de novas obras do diretor, e às vezes fico pensando o que vai ser de mim quando tiver assistido a absolutamente tudo.

Mas será que eu vou conseguir ver tudo? Pesquisando na web, Tomás descobriu que ele tem um filme perdido. De The Mountain Eagle, filme mudo de 1927, restam apenas alguns ‘stills’ e um roteiro obtuso. E, ainda assim, daria um ótimo thriller.

*

Baixei uma amostra de Alfred Hitchcock: A Life in Darkness and Light, considerado a sua biografia máxima, mas até agora não consegui passar do começo. Foi aí que lembrei de um livro recomendado por um amigo há vários anos, Hitchcock, de Truffaut, disponível apenas em papel. Vou encomendar.

As leituras têm sido lentas desde que terminei o segundo Simenon. Estou lendo The Falls, de Joyce Carol Oates, recomendado por minha tia-sogra. O livro é bonito e profundo, e talvez por isso esteja demorando tanto para terminá-lo.

 

 

Noivas perdidas e a Paris de Doisneau

Vestido Celebrity da coleção Off White/Mariage da Emannuelle Junqueira. Meu preferido!

Vestido Celebrity da coleção Off White/Mariage da Emannuelle Junqueira. Meu preferido!

Estou apaixonada pelos vestidos da Emannuelle Junqueira. No ano passado, uma de nossas madrinhas queridas elogiou muito a marca e foi comigo até a loja, mas na época achei os vestidos customizados muito pesados — embora lindos — para o que eu queria, enquanto os modelos da linha off white (às vezes chamada de Mariage — ou Marriage, até agora não sei se a ideia é falar em francês ou em inglês) eram simplinhos demais. Lembro que pensei que seria ótimo achar um vestido no meio caminho entre uma proposta e outra, e parece que finalmente achei.

O Salão Casa Moda Noivas começou na sexta, mas só resolvi ir no sábado. Perdi o desfile da Emannuelle, que aconteceu na sexta à noite, mas vi um pouco da cobertura no Instagram e na web, e parece que foi lindo, inclusive com vários modelos que não estavam disponíveis para prova durante o evento. Comecei provando um da Cymbeline, que tem uma comunicação de marca deliciosa, tudo a ver comigo. Mas nem todos os vestidos — importados diretamente de Paris — vêm para o Brasil e eles acabam não trazendo os mais fluidos e simples, que combinam melhor com a minha proposta, como o Grenadine (sem as flores, claro).

Vestido Cymbeline Grenadine da coleção 2012. Não veio para o Brasil...

Vestido Cymbeline Grenadine da coleção 2012. Não veio para o Brasil…

O estande da Emannuelle era logo em frente ao da Cymbeline, e já estava cheio por volta de meio dia. Fui e voltei algumas vezes, e confesso que tinha gostado de vários vestidos, mas nenhum deles havia me conquistado de verdade. Fiquei na fila e vi o modelo Celebrity numa das “brides to be” e me apaixonei. Nem sabia como ia ficar no meu corpo, mas foi só vesti-lo para me encantar. Era um modelo 36 e mesmo assim precisava de ajustes — na cintura e no busto — mas era lindo demais!

Não provei mais nenhum vestido depois desse. Dei uma volta pelos estandes, tirei algumas fotos curiosas, provei os bombons, e saí de lá bem feliz, tendo provado apenas 4 modelos (o Celebrity, um da Cymbeline e dois da M.Gio). Aliás, vi ao vivo as lingeries da marca Gisele Bündchen e achei lindas. Não estavam à venda mas dá para comprar pelo site.

Para ler a matéria sobre o desfile, clique aqui. E quem quiser ver o vídeo, é só acessar esse link do UOL.

Foi difícil resistir à tentação de publicar uma foto minha com o modelo, mas Tomás foi categórico: não quer saber do meu vestido. As amigas que estiverem curiosas, podem me escrever pelo Facebook. É só clicar no meu perfil, aqui.

*

Os últimos dias foram muito, muito especiais. Tomás e eu comemoramos 1 ano e 7 meses de namoro e fomos jantar num restaurante a que eu não ia há mais de 10 anos. Dei de presente para ele o livro Paris Doisneau, de Robert Doisneau, que não me canso de folhear: acho que todos os contos parisienses estão naquele livro de algum jeito, e eu queria muito trazê-los à tona. Já eu ganhei miniaturas de alguns dos meus escritores preferidos: Poe, Joyce e Shakespeare, além de uma camiseta da Paris Review que chegou tardiamente — ele havia feito o pedido em julho do ano passado! Meu momento é definitivamente Paris, por isso queria recomendar um post publicado hoje no Blog da Companhia: As gavetas francesas estão cheias

Ontem meu pai completou 60 anos, e estou preparando livros e textos e álbuns para ele, porque ele merece tudo isso e muito mais.