Costurando o vestido de dentro para fora

Grace Kelly de noiva. A mulher mais bonita que já pisou nesse planeta

Grace Kelly no dia do seu casamento com Rainier III, Príncipe de Mônaco. A mulher mais bonita que já pisou nesse planeta

Estou apaixonada por alguns livros, todos eles de papel. Vogue Weddings Brides Dresses Designers é um colírio para os olhos e para a alma, com fotos deslumbrantes de Grace Kelly, Kate Moss e Carolyn Bessette Kennedy — em seu vestido de seda perolada absolutamente impecável, de Narciso Rodriguez — e os textos de Vera Wang.

Identifiquei-me logo no prefácio, quando ela diz que no início pretendia se casar com um vestido simples, que tivesse mais a ver com a sua personalidade, mas acabou desenhando um modelo completamente diferente, e a comemoração, inicialmente para 40 pessoas, teve mais de 600 convidados. “Você acaba percebendo que [a festa] não é apenas para vocês dois, mas também para todos que amam vocês, para a família e para os amigos que estão ali por amor e respeito”.

Muita coisa mudou desde o início dos anos 90, quando Vera Wang começou seu negócio de vestidos de noiva. Mas nada mudou no papel que o Vestido desempenha nessa história toda. “Depois do anel, vem o vestido”. E foi assim comigo também, logo eu, que nunca havia pensado sobre a minha festa de casamento por mais de um minuto. E quando eu pensava, geralmente parava depois da primeira frase pois meu desejo era um só. “Se um dia eu me casar, vai ser em Itacimirim”.

Voltei da Europa, da nossa viagem de noivado, e comecei a busca pelo vestido e, de certa forma, pela noiva. Passei a ter preocupações totalmente novas, cuidados extremamente femininos que havia desprezado durante a vida toda. Nunca acessei tantos tutoriais na Internet nem li tanta bula de pílula. Nunca fui a tantos médicos. Esse mundo inteiramente novo não era privilégio da noiva, mas de uma mulher qualquer de 25-35 anos. Era como se o meu vestido estivesse sendo costurado de dentro para fora. E a literatura “bridal”, as incontáveis revistas e sites de casamento, abriam-me para uma outra realidade fictícia, um conto de fadas adaptável e delicioso porque efêmero. Fiquei fascinada com os longos e pesados vestidos e com as noivas magras, lindas e tão maquiadas. Mas não durou muito tempo. Nos últimos dias, folheando o famoso livro da Vogue, publicado no fim do ano passado, senti que revivia histórias em pílulas, como com a literatura mais curta ou a fotografia, de que gosto tanto. E se eu conseguia me identificar rapidamente com aquelas mulheres e com aqueles momentos, no fundo sentia mais uma vez que era diferente de todas elas, pois elas ansiavam pelo momento em que trocariam a camisola pelo Vestido de Noiva, e eu sempre quis a vida que começa depois dele. É o que faz esse momento tão delicado e sensível valer muito a pena.

*

Os outros livros que me encantaram são The Savoy Cocktail Book, um achado na loja Le Lis Blanc do Shopping D&D, Paris, de Robert Doisneau e Hitchcock, de Truffaut, que eu ainda nem li, mas recomendo veementemente a quem quiser escutar.

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