As mulheres de Oz

Nadine Gordimer e Amós Oz na Flip de 2007. Foto divulgação.

Nadine Gordimer e Amós Oz na Flip de 2007. Foto divulgação.

Conheci Amos Oz na Flip de 2007, quando ele dividiu o palco da Tenda dos Autores com a maravilhosa escritora sul-africana Nadine Gordimer. Não conhecia nada da obra de nenhum deles. E como deixei para comprar os ingressos na última hora, vi o espetáculo de longe, da telinha da antiga Tela do Telão, com fone de ouvido para ouvir a conversa no inglês original. Quando Oz disse que queria ter sido bombeiro, para salvar vidas, Nadine respondeu: “But Amós, when you write you are a fireman”. O público das duas tendas aplaudiu de pé, e muita gente — eu incluída — chorou de se acabar.

Prometi a mim mesma que um dia leria Oz. Talvez tenha demorado tanto para começar por causa do teor político de suas obras, mas foi um preconceito bobo, que hoje lamento. O fato de não poder ler seus livros no original foi outro fator importante. De qualquer forma, vários anos se passaram, e há alguns meses finalmente escolhi um livro, To Know a Woman, publicado em 1992.

O pano de fundo é a perda, a recuperação de um trauma, a doença de uma filha. Mas o livro fala mesmo é sobre o amor de um homem por uma mulher. Ou várias: a esposa, a filha, a mãe, a sogra, a amante. Yoel me lembrou muito o olhar inteligente, paciente, terno de Oz, que vi tão rapidamente durante a festa literária. Ele descreve as mulheres de uma forma emocionante, as cenas de amor são as mais bonitas e reais de toda a literatura que conheci, como se descrevesse como quem sente mas não vê, e o leitor pudesse reviver tudo aquilo, de dentro para fora.

A impossibilidade de se conhecer uma mulher em sua totalidade é compensada por um amor carinhoso e bem sexual que ele dedica a cada uma delas, consciente de suas diferenças, potências e fraquezas. E pela inevitabilidade de um homem diante de uma mulher que ele ama, não importa qual seja a relação que tenha com ela.

Com certeza um dos livros mais bonitos que li no ano. Ainda vai demorar muito para eu entender tudo o que ele quis dizer.

*

Lindo texto de Paloma de Montserrat sobre a mesa dos dois grandes na Flip.

2 ideias sobre “As mulheres de Oz

  1. Graca Reis

    Otima dica! Já coloquei na minha lista de desejos.
    Li dele “De amor e trevas”, e amei. Depois o vi numa entrevista na tv sueca, comentando seu livro “How to cure a fanatic”, que lá é adotado em todas as escolas. Uma pessoa extraordinária e corajosa.

    Resposta

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