Arquivo mensal: novembro 2013

Só depois de desconectar

Esse post vai ser bem rápido: só para compartilhar o excelente artigo de Evgeny Morozov publicado na New Yorker de 28 de outubro (que só chegou para mim outro dia). Foi o texto mais inteligente sobre conectividade e tédio (que também já foi chamado de ócio criativo) e dar sentido ao nosso dia-a-dia cheio de distrações deliciosas. Morozov, cujos textos vou acompanhar bem de perto a partir de agora, começa falando de Siegfried Kracauer, que receitava o bom e velho tédio para nos reunir com nossas mentes. E o tédio em tempos tão modernos pode tomar formas interessantes…

O artigo só está disponível para assinantes aqui, mas dei um jeito de publicá-lo em PDF para que todo mundo possa ler: Only Disconnect, de Evgeny Morozov.

Para quem se interessa mesmo pelo assunto, o livro The Distraction Addiction, de Alex Pang, foi muito bem-recomendado e eu já comecei a ler.

Wells na New Yorker

O grande H.G. Wells

O grande Herbert George Wells

Adoro H.G. Wells. É um dos poucos escritores que me acompanhou ao longo dos anos e permeou toda a minha vida criativa. Ele estava lá quando produzi meu projeto sobre o futuro da informação, quando primeiro me interessei pelo “tempo” como unidade física, ou ainda quando queria “comfort fiction” (embora sejam poucos aqueles que se sintam assim à vontade com a sua literatura). Seu Homem Invisível foi uma excelente introdução à multiplicidade de dimensões de espaço e quando ainda estava na faculdade escrevi um conto baseado em suas premissas. Mas o mais legal disso tudo é que até pouco tempo, era muito difícil comprar seus livros. Descobrir uma nova velha obra de Wells na livraria, dar de cara com uma reedição barata da Penguin era então puro prazer. Mas enquanto muitas de suas obras estavam esgotadas nas editoras, quase todas elas estavam disponíveis no Projeto Gutenberg e podiam ser baixadas de graça. Claro, a formatação era péssima. Mas eu baixei e reformatei Twelve Stories and a Dream só para imprimi-lo na gráfica do bairro. Tenho a brochura até hoje, e ela me lembra todo dia do quanto a minha vida de leitora apaixonada melhorou depois do Kindle.

Ontem, na web, dei de cara com um conto de Wells que nunca havia lido, sobre o qual nunca tinha ouvido falar, e tive a ideia de compartilhá-lo aqui. Na verdade, era um post rápido sobre o programa de rádio famoso de Orson Welles, que transpôs A Guerra dos Mundos para a New Jersey no Halloween de 1937. Aproveitando o gancho, a New Yorker republicou o conto Answer to Prayer, o único texto de H.G. Wells a figurar na famosa revista. Maravilhoso, até agora não tenho certeza sobre o que ele quis dizer. É só clicar no link abaixo para ter acesso ao texto original em PDF:

NewYorker – Answer to Prayer

Só coisa boa: chocolate e livros

Essa delícia de cacau (foto emprestada do site All Women Stalk)

Essa delícia de cacau (foto emprestada do site All Women Stalk)

Eu amo chocolate. Desde sempre. Já passei por todas as fases, já provei de todos os tipos, e gosto de todos: do mais doce ao mais amargo, do mais barato ao mais caro. Até aquele que não vale muito a pena eu como de vez em quando, só para ter certeza de que não mudei de ideia. (Recentemente, dei entrevista para a TV Cultura sobre essa minha paixão. Você pode assistir ao VT nesse link aqui).

Na França, apurei meu paladar para o chocolate amargo, e adorava as variações da Lindt por lá (principalmente esse daqui, usado nas receitas caseiras, que é incrivelmente gostoso e tem 54% de cacau, medida ideal na minha opinião), mas desde que voltei para o Brasil (e para as Nhá Bentas e brigadeiros de que tanto gosto), acabei privilegiando mesmo o chocolate ao leite.

Resolvi fazer um teste essa semana: substitui-lo pelo amargo. E adorei! Desde segunda só como chocolate amargo (entre 49% e 70% de cacau). Senti-me mais disposta, esperta e inclusive feliz, e não senti a menor falta do chocolate ao leite. Para mim, o mais gostoso (e que lembra uma sobremesa que eu fazia muito na França, mousse au chocolat à l’orange), foi esse aqui (desculpem-me a foto bem caseira, mas é a única que tenho e a única que o WordPress aceitou!), com 49% de cacau:

Chocolate amargo da Lindt com laranja e amêndoa. Tão bom que nem o WordPress queria que eu publicasse a foto! (Procurei no Google Images e não achei uma só foto, tampouco no site da Lindt. Ai meu Deus, será que vão parar de fabricar?)

Chocolate amargo da Lindt com laranja e amêndoa. Tão bom que nem o WordPress queria que eu publicasse a foto! (Procurei no Google e não achei uma só imagem, tampouco no site da Lindt. Ai meu Deus, será que vão parar de fabricar?)

Também adorei as trufas Puro Cacau da Cacau Show (54% de cacau) e o Lindt Excellence Intense Orange. Continuo achando que o mais gostoso é ter entre 50 e 60% de cacau, mas quem sabe não mudo de ideia depois…

*

Tanto tempo sem escrever que eu não sei nem por onde começar, então vai ser pela Amazon mesmo.

Descobri hoje — só hoje — que a Amazon anunciou o Kindle Matchbook. A ideia é simples: os clientes Amazon podem baixar a versão Kindle de livros já comprados na loja (em versão papel) de graça ou a um preço mais barato. Um serviço simples, pertinente e realmente útil, sobre cujo conceito eu já tinha escrito aqui. O catálogo de livros ainda é limitado — não achei um único matching book e olha que compro na Amazon há séculos! Mas a tendência é melhorar, sempre.

E não pára aí. Hoje recebi um e-mail deles sobre o Kindle First. Usuários Kindle e clientes Amazon Prime terão a chance de ler algumas obras antes de elas serem lançadas — e de graça! Isso é muito bacana, para os apressados (como eu) e para conhecer escritores novos, que inclusive podem ser autores novos publicando por conta própria no Kindle Direct Publishing. Já baixei Things We Set on Fire, de Deborah Reed, para ler assim que terminar 2001 de Arthur C. Clarke e o primeiro volume de O Retrato, de Veríssimo. Tenho lido bem pouco esses dias.

Ainda no campo de e-reading: Vale a pena dar uma olhada na Oyster, um app lançado recentemente que promete ser o Netflix dos livros: tudo o que você conseguir ler no mês por uma mensalidade de $ 9,95. Quando li pela primeira vez sobre o aplicativo, achei o máximo, a melhor coisa desde o Kindle. Agora já não tenho mais tanta certeza. O app é gratuito e pode ser baixado no iPhone e/ou no iPad, mas só para quem tem conta Apple americana. E, pior, para ter conta Oyster (mesmo o free trial que eles prometem no site), você precisa, mesmo, inserir um cartão de crédito americano.

Bom, não consegui testar ainda (eles não deixaram né?), mas gosto do conceito. Pode funcionar muito para os curiosos, que querem ler um pouquinho — ou poucão — do livro antes de decidir sobre a compra, ou para poesias, aqueles textos que a gente consegue ler de uma sentada só. Não me imagino lendo nada de mais de 100 páginas no iPad (aliás, nem isso), mas conheço um monte de gente que consegue. Agora é só aguardar lançarem por aqui.