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Uma Estrangeira na França: Meu Primeiro Livro Kindle

Ontem finalmente publiquei meu livro pela KDP, a plataforma de autopublicação da Amazon. Foram meses e meses de espera, pensando se deveria ou não terminar a versão em português antes para oferecer uma versão bilingue ou ainda incluir outros textos, em francês. Será que não era curto demais? Ou pedante demais? Publicar assim em francês quase três anos depois da minha volta ao Brasil?

Contei com a ajuda da minha antiga professora Marie-Laure Bousquet, do Instituto IEFE, em Montpellier, para organizar e revisar meus textos, produzidos durante o atelier de escrita da Universidade. Trata-se de uma primeira investigação sobre o estrangeiro na literatura francófona (depois explico mais sobre o projeto e sobre a capa). O livro tem apenas 25 páginas, e está disponível em todas as lojas da Amazon (veja aqui os links para venda na loja brasileira, francesa e americana).

Publicar é necessário. E hoje estou muito, mas muito feliz em ter colocado essa obra diminuta “no ar”. A plataforma de autopublicação da Amazon é um sonho. Mesmo. Tão simples, tão didática, tão intuitiva que não dá para entender como algumas editoras conseguem subir livros com tantos erros (de diagramação, digitação e, olha, até gramática e concordância). Quer mudar alguma coisa na capa? No texto também? A KDP converte seu arquivo HTM ou HTML (que nada mais é do que um .doc ou .docx limpo e bem formatado salvo como HTML) na hora, e o seu produto é atualizado algumas horas depois na loja. Dá para publicar em todas as lojas do mundo e até especificar preços ligeiramente diferentes para lojas-chave e escolher o regime de royalties (obedecendo, é claro, a algumas regras pré-estabelecidas). Acho que a autopublicação promete mudar a forma como produzimos e consumimos literatura, que nada mais é do que estender a uma esfera dita mais nobre o que já está acontecendo em todas as outras. E fico sem dormir de tão excitada só de pensar em tudo o que podemos fazer quando participamos ativamente de todas as etapas de produção e consumo de arte e conhecimento.

O site é extremamente didático (só clicar aqui). Quem usa Mac (como eu), pode ter algumas dificuldades ao formatar o índice, mas nada que não seja resolvido depois de ver alguns tutoriais na Internet. O livro fica mesmo disponível em poucas horas e recomendo a todos que têm algum texto guardado na gaveta que experimentem. Publiquem um capítulo, um teaser — há vários contos de dez páginas publicados como Kindle Single. Não custa nada.

Só coisa boa: chocolate e livros

Essa delícia de cacau (foto emprestada do site All Women Stalk)

Essa delícia de cacau (foto emprestada do site All Women Stalk)

Eu amo chocolate. Desde sempre. Já passei por todas as fases, já provei de todos os tipos, e gosto de todos: do mais doce ao mais amargo, do mais barato ao mais caro. Até aquele que não vale muito a pena eu como de vez em quando, só para ter certeza de que não mudei de ideia. (Recentemente, dei entrevista para a TV Cultura sobre essa minha paixão. Você pode assistir ao VT nesse link aqui).

Na França, apurei meu paladar para o chocolate amargo, e adorava as variações da Lindt por lá (principalmente esse daqui, usado nas receitas caseiras, que é incrivelmente gostoso e tem 54% de cacau, medida ideal na minha opinião), mas desde que voltei para o Brasil (e para as Nhá Bentas e brigadeiros de que tanto gosto), acabei privilegiando mesmo o chocolate ao leite.

Resolvi fazer um teste essa semana: substitui-lo pelo amargo. E adorei! Desde segunda só como chocolate amargo (entre 49% e 70% de cacau). Senti-me mais disposta, esperta e inclusive feliz, e não senti a menor falta do chocolate ao leite. Para mim, o mais gostoso (e que lembra uma sobremesa que eu fazia muito na França, mousse au chocolat à l’orange), foi esse aqui (desculpem-me a foto bem caseira, mas é a única que tenho e a única que o WordPress aceitou!), com 49% de cacau:

Chocolate amargo da Lindt com laranja e amêndoa. Tão bom que nem o WordPress queria que eu publicasse a foto! (Procurei no Google Images e não achei uma só foto, tampouco no site da Lindt. Ai meu Deus, será que vão parar de fabricar?)

Chocolate amargo da Lindt com laranja e amêndoa. Tão bom que nem o WordPress queria que eu publicasse a foto! (Procurei no Google e não achei uma só imagem, tampouco no site da Lindt. Ai meu Deus, será que vão parar de fabricar?)

Também adorei as trufas Puro Cacau da Cacau Show (54% de cacau) e o Lindt Excellence Intense Orange. Continuo achando que o mais gostoso é ter entre 50 e 60% de cacau, mas quem sabe não mudo de ideia depois…

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Tanto tempo sem escrever que eu não sei nem por onde começar, então vai ser pela Amazon mesmo.

Descobri hoje — só hoje — que a Amazon anunciou o Kindle Matchbook. A ideia é simples: os clientes Amazon podem baixar a versão Kindle de livros já comprados na loja (em versão papel) de graça ou a um preço mais barato. Um serviço simples, pertinente e realmente útil, sobre cujo conceito eu já tinha escrito aqui. O catálogo de livros ainda é limitado — não achei um único matching book e olha que compro na Amazon há séculos! Mas a tendência é melhorar, sempre.

E não pára aí. Hoje recebi um e-mail deles sobre o Kindle First. Usuários Kindle e clientes Amazon Prime terão a chance de ler algumas obras antes de elas serem lançadas — e de graça! Isso é muito bacana, para os apressados (como eu) e para conhecer escritores novos, que inclusive podem ser autores novos publicando por conta própria no Kindle Direct Publishing. Já baixei Things We Set on Fire, de Deborah Reed, para ler assim que terminar 2001 de Arthur C. Clarke e o primeiro volume de O Retrato, de Veríssimo. Tenho lido bem pouco esses dias.

Ainda no campo de e-reading: Vale a pena dar uma olhada na Oyster, um app lançado recentemente que promete ser o Netflix dos livros: tudo o que você conseguir ler no mês por uma mensalidade de $ 9,95. Quando li pela primeira vez sobre o aplicativo, achei o máximo, a melhor coisa desde o Kindle. Agora já não tenho mais tanta certeza. O app é gratuito e pode ser baixado no iPhone e/ou no iPad, mas só para quem tem conta Apple americana. E, pior, para ter conta Oyster (mesmo o free trial que eles prometem no site), você precisa, mesmo, inserir um cartão de crédito americano.

Bom, não consegui testar ainda (eles não deixaram né?), mas gosto do conceito. Pode funcionar muito para os curiosos, que querem ler um pouquinho — ou poucão — do livro antes de decidir sobre a compra, ou para poesias, aqueles textos que a gente consegue ler de uma sentada só. Não me imagino lendo nada de mais de 100 páginas no iPad (aliás, nem isso), mas conheço um monte de gente que consegue. Agora é só aguardar lançarem por aqui.

O Oceano Dentro do Livro

Neil autografando meu livro Smoke and Mirrors durante a Flip 2008. Foto: Gustavo Scatena/Imagem Paulista

Neil autografando meu livro Smoke and Mirrors durante a Flip 2008. Foto: Gustavo Scatena/Imagem Paulista

Por onde começar?

Tem quase um ano que eu quero escrever sobre The Ocean at the End of the Lane, publicado sob o título O Oceano no Fim do Caminho pela Editora Intrínseca. Li a nova obra de Neil Gaiman em julho de 2012 e de novo agora, logo que foi lançada. Adoro essa literatura de Neil, que não se dirige a crianças nem a adultos, mas ao leitor sem tempo nem espaço tampouco idade que habita cada um de nós, amantes de histórias. Gosto mais de Oceano do que de Coraline — que também adoro — ou de Graveyard Book. Para falar a verdade, gosto mais de Oceano do que de quase tudo o que li nos últimos meses, e olha que não foi pouca coisa.

Para começar, o livro é curto e eu a-m-o livros curtos. Minhas histórias favoritas têm até 200 páginas. São contos, short novels, novelettes. Tem uma frase de Amós Oz que diz assim, “escrever um poema é como ter um caso, às vezes de uma noite só; um conto é um envolvimento romântico, um relacionamento; um romance é um casamento — você precisa ser esperto, ceder e fazer sacrifícios”. Particularmente, sempre gostei daquelas narrativas de meio de jantar. Alguém começa a falar de repente, de forma simples, a história é imprevisível, fascinante — mas então ele é interrompido, por um outro convidado, pelo cafezinho com licor. Mas a lembrança daquele momento persiste no dia seguinte, às vezes até anos depois. Os livros mais curtos vivem dentro de nós como essas narrativas: sólidos, imutáveis, se inscrevendo como intrusos em nosso tempo. E é assim com Oceano: o livro acaba lá pelas 100 e poucas páginas, mas se a gente observar com atenção, vai ver que dura toda a eternidade.

A história começa com a festa de aniversário de sete anos do jovem narrador. Ninguém aparece, e só isso já é um prenúncio de terror. Poucas coisas são mais aterrorizantes para um menino dessa idade do que comemorar uma festa sozinho mas, olha, todas elas acontecem no livro.

Depois o seu gato morre, e o locatário que mora em seu quarto, responsável indireto pelo acidente, tenta substituí-lo por outro, que julga ser “praticamente igual”. Não dá certo. O ponto de partida para a aventura — se é que podemos chamar assim — é o suicídio do locatário. No meio dos adultos e daquela situação tão estranha e nova, o protagonista conhece Lettie Hempstock, que mora com a mãe e a avó numa casa “no fim da estrada ou do caminho” e é a dona do oceano do título.

A história — que eu não vou contar aqui, porque ela já foi narrada da melhor forma possível no livro (e este tem só 100 e poucas páginas!) — é um conto de fadas perfeito, com todos os elementos, uma síntese para este “go out into the world” que todos nós fazemos, pelo menos uma vez na vida (gosto do termo inglês porque combina “out” e “into, que a priori seriam antônimos). E, é também, uma grande história: quando ele mergulha no oceano do tamanho de uma pequena lagoa, nós também mergulhamos com ele. O livro de Neil é, na verdade, o oceano ele mesmo, e enquanto estamos lendo-o, nos sentimos como o garoto, que a um só tempo lembra de tudo e sabe tudo, desde o início dos tempos.

*

O livro tem talvez uma das capas mais bonitas que eu já vi. Por isso vale a pena comprar a versão em papel mesmo para quem for ler no Kindle (como eu).

Uma das melhores capas de todos os tempos

Uma das melhores capas de todos os tempos

A Intrínseca criou um hotsite sobre o livro, que você pode encontrar aqui.

Na Amazon, as versões ebook estão disponíveis em inglês e português.

E, para completar, a bela resenha de A.S Byatt publicada no The Guardian.

Todos os livros da Amazon podem ser seus; O Hotel dos Dois Mundos

Livros da minha biblioteca de papel preferida

Livros da única biblioteca de papel de que realmente gosto: a do meu pai

Nesse feriado tomei coragem para fazer aquilo que já queria há muito tempo: mudar a minha conta Amazon para os Estados Unidos e, depois, para a França, para comprar livremente ebooks em inglês e em francês (embora não ao mesmo tempo). A disponibilidade de conteúdo na Amazon — e em qualquer outro lugar deste vasto mundo digital — varia de acordo com o país porque as editoras estipulam os royalties dessa forma. Nunca entendi como funcionam esses royalties (mas dá para ter uma ideia de como o conceito se aplica a editoras independentes aqui nesse link), nem as leis de direitos autorais para cada país, mas sempre achei um contra-senso limitar o acesso a um conteúdo que de outra forma seria livre para qualquer um com acesso à Internet em qualquer lugar do mundo.

Quando a Amazon lançou a loja deles por aqui, falei por chat com alguns dos atendentes. Queria saber o seguinte: se eu mudasse para a loja brasileira, poderia mudar de volta para a americana? Eles disseram que sim. Mas eu não arrisquei, porque tenho muitos audiobooks na minha conta na Amazon e estava com medo de perdê-los — talvez isso já tenha sido mudado, é preciso checar. Mas no comecinho do feriado, me dei conta de que vários livros que eu planejava comprar — Julian Barnes, Agatha Christie e os dois últimos livros da Trilogia dos Cinquenta Tons — não estavam mais disponíveis ou só podiam ser comprados no pacote (e se eu já tinha um dos livros para quê mesmo iria querer comprá-lo de novo?). Foi aí que alguém da Amazon sugeriu que eu mudasse o país — até então Brasil — para Estados Unidos. Pronto. Num passe de mágica, todos aqueles livros — e outros mais — apareceram na loja.

No dia seguinte, resolvi ir mais longe. Mudei meu país para França e transferi a minha conta para Amazon.fr. Foi uma das melhores decisões literárias que tomei nos últimos anos, pois instantaneamente tive acesso aos títulos contemporâneos de alguns dos melhores e mais lidos escritores franceses. Gente como Éric-Emmanuel Schmitt — meu preferido até o momento –, Tatiana de Rosnay — tenho dois livros dela em versão brochura, mas até agora não tive coragem de ler, Marc Levy — que ainda acho meio autoajuda –, Guillaume Musso e Katherine Pancol — de quem provavelmente gostarei muito (leia sobre esses autores aqui). Li um livro inteirinho de Schmitt ontem, e recomendo muito. Mas o principal, mesmo, é ganhar acesso fácil à literatura francófona de hoje em dia, um luxo.

Para quem quer fazer o mesmo e transferir a conta de uma loja para a outra, aí vai um Passo a Passo bem básico:

Mude a sua configuração de país.

No canto direito da página, clique em Your Account e então em Manage Your Kindle. Na barra esquerda, você verá a opção Country Settings.

É lá que você deve escolher o país e inserir um endereço ou código postal válidos.

Não se preocupe, a Amazon não se comunicará com você de nenhuma forma por meio deste endereço físico.

Transfira sua conta.

Se você já usa a Amazon.com e mudou a configuração de país para Estados Unidos, o catálogo aparece para você instantaneamente. Mas se você mudou para Brasil, França ou outro país, você deve entrar na página da loja virtual e autorizar a transferência.

Leia com atenção quais itens serão ou não transferidos. Como não tenho nenhuma assinatura, apenas ebooks e audiobooks, para mim não teve problema. Mas é melhor garantir.

Bom, este é meu depoimento de cliente Amazon cada dia mais feliz 🙂

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Devo acrescentar que alguns amigos meus compram conteúdo fora da Amazon para ler no Kindle ou no Nook ou em qualquer outro ereader há muito tempo. E que há outros métodos de transferência que não envolvem mudar de conta a cada momento, mas talvez exijam contas múltiplas e bastante trabalho — eu por exemplo nunca conectei nenhum Kindle meu ao computador (leia aqui para conhecer mais).

A Livraria Cultura também vende o Kobo, que é bem híbrido nesse sentido. Enfim, as opções são infinitas. Mas eu continuo fiel ao Kindle e à Amazon, que ao longo dos anos se tornou, sem sombra de dúvidas, a minha livraria favorita. O Kindle é o melhor ereader que já vi e o catálogo global de livros eletrônicos é excepcional. E torço muito para que um dia as editoras ofereçam seus livros ao mesmo tempo para o mundo todo, e nós leitores possamos escolher o que queremos ler, a qualquer hora.

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O post acabou ficando longo demais, mas no próximo falarei sobre os dois livros que terminei de ler no feriado, The Hollow, de Ms Christie, e L’Hôtel des Deux Mondes, de Schmitt. Fiquei particularmente fascinada por esta peça de pouco mais de 150 páginas que li inteirinha na noite de quarta-feira de cinzas. Schmitt me fez rir em voz alta e chorar também, com sua história simples, escrita cristalina e personagens de carne e osso. Às vezes acho que gosto da dramaturgia mais do que tudo, porque lá as imagens e as palavras servem aos seus verdadeiros mestres.

E já estou lendo Maigret et le Fantôme, de Georges Simenon. Adoro Maigret e tenho certeza de que ele foi a inspiração de Christie para criar Poirot!

Despedida em Paris; Como comprar (melhor) na Amazon; Bolaño e os escritores de contos

Café La Palette, na Rive Gauche, em Paris

Café La Palette, na Rive Gauche, em Paris

Há alguns dias, tive uma ideia para um livro curto, um “short novel”, como dizem os americanos. A ideia ainda é bastante incipiente, e surgiu enquanto eu lia Beauvoir in Love, de Irène Frain. Queria imaginar como seria a nossa despedida de solteiro (minha e de Tomás, juntos), em Paris, cidade que está me dando a maior saudade. E como narraríamos essa despedida, imaginando, descrevendo e vivendo o passo a passo. Talvez o livro nunca vá além dessa ideia, mas por enquanto gosto bastante dela.

Ah, e este era o post que estava “protegido” há alguns dias e hoje resolvi publicar para todo mundo:

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Era a nossa primeira vez em Paris na primavera. Deixamos as malas no hotel, na Madeleine, e começamos o tour. Atravessamos o Pont Neuf e tentamos percorrer os caminhos da Rive Gauche que havíamos feito, rapidamente, mais de um ano antes. Eu usava uma maquiagem discreta e um daqueles vestidos pretos sequinhos, o cabelo preso para trás, a câmera Lomo no colo. Tirei da bolsa dois cadernos pretos idênticos e pequenos, com capa de couro, sem pauta. Entreguei um deles para você. Nelson Algren havia feito a mesma coisa com Simone de Beauvoir mais de cinquenta anos antes. Foi assim que eu tive a ideia para a nossa despedida em Paris. Sentados no Café La Palette, você escreveu o meu nome na primeira página de um caderno, e eu escrevi o seu no outro. Ao longo do dia, escrevemos, ao mesmo tempo, sobre coisas muito diferentes, por exemplo, eu tentei adivinhar o que o casal do outro lado da rua discutia, já você comentou sobre a menina loira de vestido florido a algumas mesas da nossa. Depois você disse, “como você está linda”.

Toda manhã nós trocávamos de caderno, até que um dia cada um de nós ficou com o caderno com o próprio nome. Era uma dedicatória à nossa primeira despedida de amor, de solteiros. E agora, abrindo o caderno, eu leio…

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Como todo mundo que lê esse blog sabe, faz quase dois anos que eu leio — e muito — no Kindle. Geralmente leio em inglês mesmo, porque me identifico bastante com a literatura anglófona, mas também leio bastante em francês, português e espanhol. Quando comprei meu primeiro Kindle, a Amazon ainda não tinha loja na França, e mesmo assim nós leitores podíamos encontrar obras da literatura clássica francesa (meia dúzia de boas almas havia feito o upload dos livros em domínio público). Logo que foi lançada, a loja oferecia principalmente livros comerciais (e muitas vezes americanos) traduzidos para o francês, livros que eu provavelmente leria (ou lia) em inglês mesmo. Mas há alguns dias descobri que livros nacionais, publicados recentemente, já estavam sendo vendidos na Amazon.fr. Inclusive o livro de Emmanuel Carrère, D’Autres Vies que la Mienne (leia post aqui), que terminei de ler, em inglês, há pouquíssimos dias. Fui tentar comprar e não consegui, porque para isso são necessários dois passos simples (pero no mucho): mudar a configuração de país para França (o que eu fiz prontamente) e transferir a sua conta para a Amazon.fr (o que eu não fiz).

Se até agora não mudei minha conta para Amazon.com.br, certamente não mudaria para a Amazon.fr por impulso. Mas aquilo foi me deixando bem chateada com a Amazon, que é uma de minhas empresas — e plataformas — preferidas no mundo todo. Desde que a loja brasileira foi lançada, vários livros da loja americana se tornaram indisponíveis para residentes no Brasil, por causa do gerenciamento de direitos autorais feito pelas editoras. The Hobbit, livros de Julian Barnes, Agatha Christie e da trilogia de Cinquenta Tons. Isso sem falar nos audiobooks. Decidi conversar com um dos atendentes por chat e ele me sugeriu o que eu nunca havia tido coragem de fazer: mudar a minha configuração de país para Estados Unidos.

Basta mudar para Estados Unidos, e todos os livros — e ebooks — ficam disponíveis de novo. Em teoria, você também pode transferir e retransferir sua contas quantas vezes quiser (de Amazon.com para .com.br para .fr) e tudo volta ao normal. Se tomar coragem de fazer isso, aviso!

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No site da Paris Review (e em tom de brincadeira), Roberto Bolaño dá dicas a quem quer escrever contos: quem ler e quem não ler, com uma ênfase toda especial em Poe. (Leia aqui). Impossível não lembrar do que Alessandro Baricco disse na Flip de 2008: “quando escrevo ficção, não leio ficção”.

Leituras pra todo dia

Na França, todo mundo lê, até os moradores de rua, lá chamados de SDF - sans domicile fixe

Na França, todo mundo lê, em qualquer lugar.

Aderi há alguns dias a uma corrente literária que está circulando no Facebook. A ideia é simples: oferecer cinco ou mais livros para amigos em sua rede que estejam interessados em fazer o mesmo com as pessoas na redes deles. Você escolhe os livros que vai dar pensando em quem vai recebê-los, e pode entregar em qualquer momento de 2013. Sempre gostei de correntes, e acho que funcionavam muito bem antes do surgimento do e-mail, quando tudo acontecia por cartas. Quem sabe o Facebook não resgata isso?

Bom, a primeira coisa que fiz foi tirar a obrigação, assim todo mundo pode participar, mesmo quem não tem cinco livros para distribuir. E incluí a possibilidade de doar ebooks. Nos Estados Unidos, já é possível emprestar livros para outros usuários ou mesmo oferecê-los de graça na Amazon e estou torcendo para que eles habilitem a mesma coisa por aqui, ou lancem uma nova função de Doação. Quem já lê em ereader, vai receber o meu presente por e-mail, mas o cartão vai ser em papel mesmo, para ficar mais charmoso. Quem lê em papel vai receber um dos meus livros preferidos, hoje acumulando poeira numa mala bem no meio da sala. Já falei deles aqui, mas só para lembrar rapidinho: Contos de Amor e Morte, de Arthur Schnitzler, um de meus autores preferidos dos meus 20 anos; Complete Short Fiction, de Oscar Wilde, numa edição bem velhinha de algumas das histórias mais apaixonantes que já li na vida; The Night of the Iguana, de Tennessee Williams, peça que adoro (também tenho em casa a versão em espanhol); Steppenwolf, do Herman Hesse (vai ser difícil achar destino para esse), Somerset Maugham, e Morte em Família, de James Agee, lançado no ano passado pela Companhia das Letras — também tenho a versão original no Kindle. Certamente encontrarei algum Georges Simenon, Agatha Christie, Julian Barnes para completar a lista.

A lista de leituras para 2013 está crescendo muito. Já li três livros, mas não consigo terminar Other Lives But Mine, do francês Emmanuel Carrère. Optei por ler em inglês mesmo (o original é em francês) porque o livro ia demorar muito para chegar aqui, mas agora me arrependo. Também baixei o exemplar de dois livros de Alyson Richman, The Lost Wife e The Last Van Gogh, alguns Poirot, um novo do Julian Barnes, (Flaubert’s Parrot) e outros recomendados pela Amazon.

E se não bastasse tudo, sei que preciso concluir os dois livros em andamento — aquele sobre a França e aquele de contos. Logo, logo.