Arquivo da tag: casamento

Quando você for velha

Com minha vó em seu aniversário de 80 anos

Com minha vó em seu aniversário de 80 anos

Aprendi a gostar de poesia já tarde, com um pequeno Rubaiyat que havia pertencido ao meu bisavô. Minha vó me deu de presente em 2009, no dia do casamento da minha prima. Alguns meses depois, li Yeats pela primeira vez. Um grande amigo na época se sentou ao meu lado, abriu um livro antigo e leu When You Are Old em voz alta.

O poema ressoa dentro de mim até hoje, e nunca soube ao certo se o que provocava era medo ou esperança. Via-me jovem como a mulher do poema e, igual a ela, nunca havia pensado no que seria envelhecer um dia. Meus amores eram homens “antigos”, minhas paixões tão ancestrais como efêmeras, e a mulher que mais admirava no mundo era também a mais velha. Minha vó era cheia de história e histórias, e tanta juventude! Talvez por isso eu tenha acreditado que um dia me transformaria numa versão mais simplificada de quem ela era; mas envelhecer, nunca.

Só fui me dar conta dos efeitos do tempo nos últimos dias. Foram mais de 31 anos de negligência — serão 32 em julho — sem passar um único creme, tomando sol sem protetor solar quase sempre, vivendo a vida dia após dia. Numa das análises que encontrei na web, um suposto “crítico” diz que sonhar com a expressão que seu rosto teve um dia não faz sentido, pois a maioria das pessoas sequer se olha no espelho por outro motivo que não seja “ver que tudo está no lugar”. Ora, esse crítico desconhece as pessoas do sexo feminino.

Mas a verdade é que mesmo ao longo dos anos continuamos encontrando a mesma menina, ou a mesma mulher, até que um dia algo muda. E a gente percebe que não tem volta, para o bem e para o mal.

A passagem do tempo, para a mulher, é um assunto tão poético que o lindo poema de Yeats — abaixo em versões original e em português, numa bela tradução que encontrei no blog A Poesia de Yeats — tem um precursor do séc. XVI, o poeta francês Pierre de Ronsard.

Os dois textos servem como alerta. O poeta escreve para uma mulher ainda jovem, e certamente bela. Em Ronsard, ele relembra que celebrou a sua beleza um dia e ela o desdenhou; hoje ele está debaixo da terra e ela virou uma velha. “Colha desde hoje as rosas da vida”. Em Yeats, ela também o desdenhou, mas enquanto todos os homens amaram a sua beleza, ele foi o único a amar “sua alma peregrina”. Hoje ele também está morto, e ela lamenta com amargura que “o amor fugiu”.

Talvez, em Ronsard, a ideia seja celebrar a beleza e a juventude, que são dádivas, e em Yeats dizer que a mulher amada não tem idade.

Quando fores velha
Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,

Pega este livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.

When You are Old

William B. Yeats (1865-1939)

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

Quand Vous Serez Bien Vieille

Pierre de Ronsard – 1587

Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chandelle,
Assise auprès du feu, dévidant et filant,
Direz, chantant mes vers, en vous émerveillant :
Ronsard me célébrait du temps que j’étais belle.

Lors, vous n’aurez servante oyant telle nouvelle,
Déjà sous le labeur à demi sommeillant,
Qui au bruit de mon nom ne s’aille réveillant,
Bénissant votre nom de louange immortelle.

Je serai sous la terre et fantôme sans os :
Par les ombres myrteux je prendrai mon repos :
Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regrettant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m’en croyez, n’attendez à demain:
Cueillez dès aujourd’hui les roses de la vie.

Noivas perdidas e a Paris de Doisneau

Vestido Celebrity da coleção Off White/Mariage da Emannuelle Junqueira. Meu preferido!

Vestido Celebrity da coleção Off White/Mariage da Emannuelle Junqueira. Meu preferido!

Estou apaixonada pelos vestidos da Emannuelle Junqueira. No ano passado, uma de nossas madrinhas queridas elogiou muito a marca e foi comigo até a loja, mas na época achei os vestidos customizados muito pesados — embora lindos — para o que eu queria, enquanto os modelos da linha off white (às vezes chamada de Mariage — ou Marriage, até agora não sei se a ideia é falar em francês ou em inglês) eram simplinhos demais. Lembro que pensei que seria ótimo achar um vestido no meio caminho entre uma proposta e outra, e parece que finalmente achei.

O Salão Casa Moda Noivas começou na sexta, mas só resolvi ir no sábado. Perdi o desfile da Emannuelle, que aconteceu na sexta à noite, mas vi um pouco da cobertura no Instagram e na web, e parece que foi lindo, inclusive com vários modelos que não estavam disponíveis para prova durante o evento. Comecei provando um da Cymbeline, que tem uma comunicação de marca deliciosa, tudo a ver comigo. Mas nem todos os vestidos — importados diretamente de Paris — vêm para o Brasil e eles acabam não trazendo os mais fluidos e simples, que combinam melhor com a minha proposta, como o Grenadine (sem as flores, claro).

Vestido Cymbeline Grenadine da coleção 2012. Não veio para o Brasil...

Vestido Cymbeline Grenadine da coleção 2012. Não veio para o Brasil…

O estande da Emannuelle era logo em frente ao da Cymbeline, e já estava cheio por volta de meio dia. Fui e voltei algumas vezes, e confesso que tinha gostado de vários vestidos, mas nenhum deles havia me conquistado de verdade. Fiquei na fila e vi o modelo Celebrity numa das “brides to be” e me apaixonei. Nem sabia como ia ficar no meu corpo, mas foi só vesti-lo para me encantar. Era um modelo 36 e mesmo assim precisava de ajustes — na cintura e no busto — mas era lindo demais!

Não provei mais nenhum vestido depois desse. Dei uma volta pelos estandes, tirei algumas fotos curiosas, provei os bombons, e saí de lá bem feliz, tendo provado apenas 4 modelos (o Celebrity, um da Cymbeline e dois da M.Gio). Aliás, vi ao vivo as lingeries da marca Gisele Bündchen e achei lindas. Não estavam à venda mas dá para comprar pelo site.

Para ler a matéria sobre o desfile, clique aqui. E quem quiser ver o vídeo, é só acessar esse link do UOL.

Foi difícil resistir à tentação de publicar uma foto minha com o modelo, mas Tomás foi categórico: não quer saber do meu vestido. As amigas que estiverem curiosas, podem me escrever pelo Facebook. É só clicar no meu perfil, aqui.

*

Os últimos dias foram muito, muito especiais. Tomás e eu comemoramos 1 ano e 7 meses de namoro e fomos jantar num restaurante a que eu não ia há mais de 10 anos. Dei de presente para ele o livro Paris Doisneau, de Robert Doisneau, que não me canso de folhear: acho que todos os contos parisienses estão naquele livro de algum jeito, e eu queria muito trazê-los à tona. Já eu ganhei miniaturas de alguns dos meus escritores preferidos: Poe, Joyce e Shakespeare, além de uma camiseta da Paris Review que chegou tardiamente — ele havia feito o pedido em julho do ano passado! Meu momento é definitivamente Paris, por isso queria recomendar um post publicado hoje no Blog da Companhia: As gavetas francesas estão cheias

Ontem meu pai completou 60 anos, e estou preparando livros e textos e álbuns para ele, porque ele merece tudo isso e muito mais.

Literatura esquecida, romances prolixos e um buquê de conchas

Novembro 2012. Experimentando vestidos...

Novembro 2012. Experimentando vestidos…

Só agora me dei conta de que não escrevo há dias. E nem posso dizer que é por causa da chuva. Mas tenho lido bastante. Depois de Schmitt e seu Hotel de Dois Mundos, com sua visão delicada e clichê do amor à primeira vista (o “coup de foudre”, como dizem os franceses) e das almas gêmeas, embarquei de corpo e alma em Maigret, de Simenon. Todo Maigret é excelente, e como só tive contato com ele muito depois de conhecer Poirot, devo dizer: Maigret é um Poirot mais discreto. Mas não há dúvidas de que Miss Christie quis render uma grande homenagem ao escritor belga Georges Simenon.

Para quem não conhece Simenon, ele escreveu mais de 500 livros, e dormiu com cerca de 10 mil mulheres. Um verdadeiro prodígio. Maigret, no entanto, foi fiel à mesma mulher durante todas as suas histórias — ou talvez a Mme Maigret, cujo primeiro nome desconheço (ainda não li todos os livros dele), fosse uma mulher diferente a cada nova aventura. Não importa.

O próximo livro da lista é The Falls, de Joyce Carol Oates, recomendado por minha querida tia — e sogra — Tania. Nunca li nada da escritora, e embora seja normalmente avessa a livros de mais de 350 páginas, mal posso esperar para começar a lê-lo. Continuo mudando constantemente de “biblioteca” Amazon, mas devo dizer que a loja francesa atende à maior parte dos meus desejos. Tenho dois ou três livros franceses para ler, e tenho flertado com alguns títulos americanos também. Tomás queria comprar Alfred Hitchcock: A Life in Darkness and Light mas… 900 páginas? Dia 08, sexta-feira que vem, será a estreia do filme Hitchcock, estrelando Anthony Hopkins, Helen MirrenScarlett Johansson. É o meu diretor favorito, de uma paixão sem reservas, e tenho quase certeza de que o filme é bom, embora provavelmente não seja ótimo — nem Hopkins com toda a maquiagem do mundo conseguiria transmitir a ideia de um dos melhores cinemas de autor.

*

Menos de nove meses para o casamento. Para quem começou a ver vestidos de noiva em setembro do ano passado, o tempo passou muito rápido! Mas tenho certeza de que tudo vai dar certo. No meio tempo, vou preparando um post só de noivas, que talvez publique aqui também. Hoje me mandaram uma foto de um buquê de conchas, um verdadeiro sonho de consumo.

*

Last but not least. Hoje, Pierre Dukan, criador da famosa Dieta Dukan, estará na Livraria da Vila da Lorena para uma palestra seguida de autógrafos. O acesso é gratuito! Para mais informações, clique aqui.

Literaturas esquecidas, memórias analógicas e outros tempos

Estávamos caminhando para o cinema para ver A Estrada Perdida, quando tiraram esta foto de mim. Era 1997, iniciozinho do ano, havia começado a cursar o primeiro colegial no Pueri Domus da Jacurici (que nem existe mais). Encontrei-a num pequeno álbum antiquíssimo onde guardo até hoje fotos que amigas da Bahia me deram quando mudei para São Paulo.

Hoje resolvi passar na minha antiga casa, lá em Perdizes, para buscar alguns livros. Vinha sentindo falta de vários deles e decidi aproveitar a viagem de Tomás para dar um jeito nessa saudade toda. Primeiro, um passeio pelo bairro. O empório onde comprava pastinhas de queijo e azeitona, chocolates, torradas deliciosas, está menor, tem menos produtos, ficou sem graça. Das duas padarias, uma está igualzinha, meio perdida no tempo. Fui procurar um Lollo — alguém teve a ideia magnífica de relançá-lo exatamente como foi criado — e não tinha. Encontrei-o na outra, mas nem mudou tanto. A academia é a mesma coisa, aí quem mudou fui eu. Não senti nada quando olhei para a piscina, ou subi as escadas. A videolocadora de que gostava tanto, e frequentei assiduamente por anos, estava em reforma, o que me deixou chateada. Descobri meus filmes preferidos no meio caminho entre a Notoriuns e a 2001, e toda sexta-feira, e todo sábado e domingo, lá ia eu ver se tinham lançado um novo filme do Hitchcock em vídeo. Por incrível que pareça, o DVD pertence às minhas memórias analógicas.

Entrando em casa, fui direto para a estante, antes mesmo de cumprimentar meus irmãos. Buscava três livros. Laura y Julio, de Juan José Millás, Mientras Ellas Duermen, de Javier Marías, e o quarto volume dos contos de Maugham. Só encontrei o último da lista. Mas trouxe 52 livros para minha nova casa no Itaim Bibi. Isso mesmo. 52. Achei que voltaria para cá com meia dúzia de literaturas esquecidas mas acabei carregando boa parte de minhas memórias numa mala velha. Não largo do Kindle por nada desse mundo, mas a verdade é que livros em papel são como casas antigas que ainda não vendemos. Não moramos mais lá, mas tampouco alguém mora. Aí um dia abrimos a porta e encontramos tudo do jeito que era antes, se bobear até uma versão mais jovem da gente. Entre os livros, e os cadernos, aquelas narrativas infinitas, encontrei esta foto, totalmente espontânea, tirada numa rua do Itaim. Estávamos, o grupo de Jovens Escritores do Pueri Domus e eu, caminhando para o cinema Lumière que, pura coincidência, fica aqui na esquina. Veríamos naquele início de noite o polêmico Estrada Perdida, que não entendi em absoluto mas despertou em mim a paixão pelo cinema. Três anos depois, descobriria Kubrick, Bergman, Truffaut e muitos outros. Cinco, os anos dourados de Hollywood, e Hitchcock e Billy Wilder. E se naquela tarde eu não tivesse feito aquele trajeto a pé, com aquele grupo, talvez nada disso tivesse acontecido.

Dos livros.

Alguns dos 52 livros merecem nota.

Contos de Amor e Morte, Arthur Schnitzler, que li aos 19, logo que comecei a me interessar por Kubrick — e Freud. Freud dizia que seu contemporâneo era mais avançado que ele no que dizia respeito às mulheres (e sua sexualidade), e eu concordo. Li quase tudo de Schnitzler que chegou ao Brasil de algum jeito naquele ano. Ou no ano seguinte.

Complete Short Fiction, Oscar Wilde. Li a short fiction de Wilde aos 14 ou 15, ainda na Bahia, na nossa casa no Caminho das Árvores, em Salvador. Um livro da Companhia das Letras que minha mãe encapou com plástico para eu levar para a escola. Guardei-o como um tesouro mas, assim que adquiri uma certa independência literária, comprei seu substituto, a versão da Penguin em inglês. O livro tem 13, 14 anos, está caindo aos pedaços, mas não tenho coragem de passar adiante. Ainda.

Homer’s Odyssey, que herdei de minha vó e nunca li, pois nunca consegui ler. A última tentativa foi no Carnaval de 2010, e em algum momento da festa devo ter me dado conta de que não se tratava de um momento propício para esse tipo de leitura. Incrível como nossa história é contada, em igual proporção, pelos livros que lemos e por aqueles que deixamos de ler.

Licks of Love, Updike. Que também não li, mas meu Tio Zeca mencionou o autor ontem ou antes de ontem e achei que estava na hora de iniciar uma nova tentativa.

Eight Stories. Um livrinho caseiro, que fiz para um antigo namorado. Contos românticos e semi-eróticos, todos em inglês, que eu nem sabia falar direito na época.

Beginners, Raymond Carver. O livro ficou famoso bem antes de eu começar a ter vontade de lê-lo. A Companhia das Letras lançou-o por aqui, o título uma tradução de uma das versões inglesas. What we talk about when we talk about love. Mas Beginners ilustra melhor o assunto delicado do livro. Comprei-o na Shakespeare & Co, a grande livraria inglesa de Paris, e li-o num único fim-de-semana.

El túnel, Ernesto Sábato. Primeiro livro que li em espanhol até o fim. Na piscina da antiga casa do meu pai (como aliás li muitos livros), num único domingo de sol.

La tregua, Mario Benedetti. Um de meus livros favoritos em língua espanhola. Recomendado por um amigo que já não conheço mais.

A Room with a View, EM Forster. O livro não marcou tanto quanto a sua compra. Edição caríssima da Penguin, com capa de couro deluxe, era vendido aqui a R$ 200 e eu tive coragem de comprar. Ficou guardado numa caixa todos esses anos. Resultado: está em pior estado que meus paperbacks. Mas não me arrependo.

2666, Bolaño. Este foi talvez o escritor de que mais tentei gostar. Um amigo chileno me recomendou este e muitos outros, dentre os quais Las Putas Asesinas. Festejado, comemorado pelos críticos americanos, Bolaño até hoje figura na New Yorker e na Paris Review mês sim, mês não. E até agora não aprendi a gostar dele.

El Hombre Sentimental, Marías. Um livro roubado. Tomei emprestado na Cultura Española, onde fazia minhas aulas de espanhol, e nunca devolvi. E nunca li, o que é ainda mais vergonhoso.

Decameron, Boccaccio. Para ler e reler, sempre. Talvez o livro mais divertido que já li em toda a minha vida.

The Night of the Iguana, Williams. Amei o filme, e o livro.

Hotel World, Ali Smith. Minha primeira Flip, 2006, meu primeiro namorado mais sério. O livro de que mais lembro é outro, em que a narradora/protagonista começa contando como chegou a existir.

O Tradutor Cleptomaníaco. Nome impronunciável. Veio de brinde e eu me diverti com a possibilidade de, na posição de tradutora, poder fazer a mesma coisa.

Freud.

Marái.

Neil Gaiman. The Graveyard Book. Trabalhando para a Flip 2008, consegui uma prova do livro para o Marcelo Tas ler antes da mesa. Gaiman foi uma surpresa deliciosa. Só tinha lido os Sandman, para um projeto do Pueri Domus. De 2008 em diante, me encantei com seus contos e literatura infantil. Bom amigo até hoje.

Rumi.

Druon.

Sophie Calle.

Eric. Achei um caderno de quando morava na França. Não lembrava mais por que motivo o teria guardado, quando achei i a dedicatória de um amigo bem antigo que só conheci durante 1 ano e meio. Francês, ele havia morado na Grécia e falava grego muito bem. Passei uma semana inteirinha tentando decifrar o que estava escrito. E consegui. Deu saudade da possibilidade, da chance, de conhecê-lo.

Na luz e na brisa do litoral

Casamento na Chiesa di Santa Maria Assunta, em Positano. Dia 27 de Agosto de 2012, um dia antes de Tomás me pedir em casamento

Hoje alguém procurou na Internet pelas palavras-chave “casamento Jennifer e Tomás”. Possivelmente trata-se de outra Jennifer (ou outro Tomás) ou então alguém da família, interessado em saber se a data já foi divulgada. Mas a verdade é que passei boa tarde da tarde pensando: quem será que foi, e por quê…

Dia 28, Tomás e eu completamos 1 ano e 2 meses de namoro e um mês inteirinho de “noivado”. Ainda falta mais de um ano, as provas de vestido estão agendadas para o fim de outubro, já tenho mais de dez revistas de Noiva aqui, a leitura de A Practical Wedding comprometida por Christian Grey (que não é ruim mas não chega a ser bom) e, agora, Os Enamoramentos, de Marías, e The Facebook Effect. Mas a coisa mais bonita que li nessa última semana foi enviada na verdade por email, um texto reflexivo sobre um novo livro, que fala diretamente para a minha alma. Depois do fim-de-semana inteiro na praia, na luz e na brisa gloriosa do litoral, não quero pensar é em mais nada. Mas comecei a tomar colágeno em cápsulas, e outras cápsulas, que, prometem fortalecer o cabelo, tudo para casar de “cabelão”. E me preparo para assistir ao batizado de minha sobrinha-prima Sofia neste fim-de-semana, o primeiro batizado de minha vida, de uma pequeninha tão amada… Outubro é o mês de que mais gosto no ano.

A inteligência sem cortinas de Fernando Pessoa; Dukan; Uma Estrangeira na França

Lisboa no início de setembro, em pleno sol e verão

Estou lendo Crônicas da Vida que Passa, de Fernando Pessoa, comprado numa (linda) livraria-café em Lisboa (não lembro o nome, não sei por quê). E estou me divertindo muito, pois não conhecia esse lado de Pessoa.

O livro reúne crônicas de Pessoa publicada n’O Jornal no ano 1915. A primeira fala de política e de convicções profundas: “Se há fato estranho e inexplicável, é que uma criatura de inteligência se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo mesma. (…) Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certezas várias vezes no mesmo dia”. A segunda, do excesso de disciplina do povo português (“Somos incapazes de revolta e agitação”, escreve). A quarta, polêmica, trata dos chaffeurs para criticar o jornal monarquista A Nação, e levou o jornal a demitir o escritor.

Curtas

Depois de quase 5 dias sem escrever, aí vai uma breve atualização:

Terminei de ler The Dukan Diet de Pierre Dukan. Não só isso. Estou seguindo a dieta desde segunda-feira e posso confirmar a sua eficácia (algo mais preciso só na próxima segunda-feira, quando começarei a 2a semana). O cardápio só proteínas da fase de ataque (que para mim durou 3 dias embora o recomendado seja 2) é surpreendentemente rico e variado. O cardápio proteínas+vegetais, mais ainda, mas estou alternando 1 dia de proteínas com 1 dia de proteína, vegetais e 1 extra, que pode ser qualquer coisa que eu queria comer, desde que em quantidade bem reduzida. Acho uma boa opção para quem quer (ou precisa) perder uma média de 5kgs (e não muito mais do que isso).

*

A Livraria Cultura anunciou ontem um fim-de-semana de desconto para alguns títulos Penguin, em homenagem aos 110 anos de Allan Lane, o inovador fundador da Editora Penguin que lançou o paperback barato no mercado. Entre os títulos disponíveis (há livros em inglês e em português), recomendo Dubliners, de Joyce, The Heart is a Lonely Hunter, de Carson McCullers, e The Great Gatsby, de Fitzgerald, em versões original e traduzida. O desconto é de mais ou menos 30%. E a promoção vai só até domingo, dia 23!

*

A nova data de publicação do livro Uma Estrangeira na França já foi definida: 29 de novembro de 2012. Optei por não publicar os novos capítulos, mas todos estarão disponíveis no livro, publicado na plataforma KDP da Amazon. Novidades em breve!

*

Noiva por acaso: Comprei a 4a edição da Claudia Noivas. Ainda não tive tempo de olhar com calma, mas gostei — embora não seja tão boa quanto a 3a edição ou a Vogue Noiva de 2012. Tenho duas provas agendadas para a semana que vem: Cymbeline e Cecilia Echenique. Pretendo escolher o vestido até janeiro de 2013 — e antes disso temos 2 casamentos muito queridos, os dois em novembro.

A dieta Dukan

Pierre Dukan, o guru das dietas e autor do livro The Dukan Diet ou Je ne sais pas maigrir

Estou lendo The Dukan Diet e é muito, muito bom. O livro (Je ne sais pas maigrir no original) lançou o nutricionista francês Pierre Dukan à fama e é um sucesso desde 2008, mas ganhou novo fôlego no fim de 2010, com a anúncio do noivado de Lady Kate e da dieta milagrosa dos Middleton.

Funciona. Não posso dizer por experiência própria pois comecei a seguir o método hoje, mas na semana passada passei dois dias (quase) à base de proteína e o resultado foi ótimo. Senti-me bem mais disposta e ativa e o único efeito colateral — se é que podemos chamar assim — foi a boca seca. Para quem não precisa perder tantos quilos, o programa é ainda melhor. Um ou dois dias na primeira fase, chamada por Dukan de Ataque (choque talvez seja mais adequado pois é este o efeito no corpo), algumas semanas em Cruise ou Transição (que pode variar de 5 dias só proteína intercalados com 5 dias proteína + legumes a dois dias só proteína e 5 dias relativamente livres, tudo depende de quanto você quer perder e em quanto tempo) então Consolidação e Estabilização, que são fases mais relaxadas pois liberam quase todos os tipos de alimentos compensando com 1 ou 2 dias só de proteína*.

Há vários sites, em várias línguas, explicando e exemplificando todas as fases do método. Por isso, preferi destacar os motivos por que resolvi ler e/ou do que gostei mesmo.

1) a dieta realmente exige uma reeducação alimentar. Uma pessoa da minha família adotou o método no início de agosto e em 14 dias já tinha perdido 6kgs. Hoje já está na fase de consolidação — que é longa, pois prevê 5 dias para cada pound, mais ou menos 0,5kg. No último ano, ele já havia experimentado várias dietas mas só a Dukan funcionou. E o motivo deve ser bem simples. Depois de sentir os efeitos muito benéficos de uma dieta saudável (durante a qual não é necessário contar calorias), o corpo acaba traduzindo esses esforços em novos e bons hábitos.

2) o livro é muito bem escrito, divertido e instrutivo. Estou lendo a versão em inglês, no Kindle, e ainda não descobri se é do próprio autor ou de um tradutor. De qualquer forma, a leitura é rápida e nada chata, com algumas pequenas descobertas para quem nunca gostou de dietas (e menos ainda de livros de dietas): Oat Bran ou uma divertida consideração sobre o efeito do frio no nosso gasto calórico diário. Dukan recomenda sair com um casaco a menos em pleno inverno (europeu!), ligar o ar condiciona quando não está calor, e chupar gelo. Isso mesmo.

3) a abordagem no-nonsense do exercício físico. Não é para correr para a academia que nem um desesperado nos primeiros dias de dieta. Ele recomenda, ou melhor, prescreve, 20 minutos diários de caminhada nesses primeiros dias críticos de ataque. Assim você não cansa muito mas ajuda seu corpo a gastar mais calorias. Vale caminhar com o cachorro, ir a pé para o trabalho ou para o cinema, buscar a roupa na lavanderia. Qualquer coisa. Desde que some 20 minutos. Depois, a recomendação é outra e a prática de uma atividade física se torna desejável.

4) nunca fiz uma dieta na vida (que fosse além de uma semana sem chocolate) e achei que já estava na hora (principalmente considerando meu novo status de noiva).

Para quem quer visualizar os cardápios de cada fase, é só ir nesse site, que traduz todas as fases para o português e traz várias dicas. Para o site oficial da dieta Dukan no Brasil, Dieta Dukan.com.br, onde é possível descobrir seu peso real (que, veja bem, não é o ideal nem o atual, mas ainda assim é conservador, provavelmente porque o escritor é francês. Lá, eles têm dois termos para indicar “magreza”: um para magreza saudável outro para nem tanto). O site é mais um efeito da indústria Dukan, mas não compromete o livro, que vale muito a pena.

*: aqui vale uma ressalva. Essa primeira fase não é só de proteína. Como Dukan diz no livro, o único alimento 100% proteína que encontramos consiste na clara do ovo. Trata-se de priorizar alimentos principalmente proteicos. Exemplo: o leite e o iogurte, que trazem um pouco de gordura ou açúcar na composição, ou as carnes, que por mais magras que sejam nunca são 100% magras.