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Leituras pra todo dia

Na França, todo mundo lê, até os moradores de rua, lá chamados de SDF - sans domicile fixe

Na França, todo mundo lê, em qualquer lugar.

Aderi há alguns dias a uma corrente literária que está circulando no Facebook. A ideia é simples: oferecer cinco ou mais livros para amigos em sua rede que estejam interessados em fazer o mesmo com as pessoas na redes deles. Você escolhe os livros que vai dar pensando em quem vai recebê-los, e pode entregar em qualquer momento de 2013. Sempre gostei de correntes, e acho que funcionavam muito bem antes do surgimento do e-mail, quando tudo acontecia por cartas. Quem sabe o Facebook não resgata isso?

Bom, a primeira coisa que fiz foi tirar a obrigação, assim todo mundo pode participar, mesmo quem não tem cinco livros para distribuir. E incluí a possibilidade de doar ebooks. Nos Estados Unidos, já é possível emprestar livros para outros usuários ou mesmo oferecê-los de graça na Amazon e estou torcendo para que eles habilitem a mesma coisa por aqui, ou lancem uma nova função de Doação. Quem já lê em ereader, vai receber o meu presente por e-mail, mas o cartão vai ser em papel mesmo, para ficar mais charmoso. Quem lê em papel vai receber um dos meus livros preferidos, hoje acumulando poeira numa mala bem no meio da sala. Já falei deles aqui, mas só para lembrar rapidinho: Contos de Amor e Morte, de Arthur Schnitzler, um de meus autores preferidos dos meus 20 anos; Complete Short Fiction, de Oscar Wilde, numa edição bem velhinha de algumas das histórias mais apaixonantes que já li na vida; The Night of the Iguana, de Tennessee Williams, peça que adoro (também tenho em casa a versão em espanhol); Steppenwolf, do Herman Hesse (vai ser difícil achar destino para esse), Somerset Maugham, e Morte em Família, de James Agee, lançado no ano passado pela Companhia das Letras — também tenho a versão original no Kindle. Certamente encontrarei algum Georges Simenon, Agatha Christie, Julian Barnes para completar a lista.

A lista de leituras para 2013 está crescendo muito. Já li três livros, mas não consigo terminar Other Lives But Mine, do francês Emmanuel Carrère. Optei por ler em inglês mesmo (o original é em francês) porque o livro ia demorar muito para chegar aqui, mas agora me arrependo. Também baixei o exemplar de dois livros de Alyson Richman, The Lost Wife e The Last Van Gogh, alguns Poirot, um novo do Julian Barnes, (Flaubert’s Parrot) e outros recomendados pela Amazon.

E se não bastasse tudo, sei que preciso concluir os dois livros em andamento — aquele sobre a França e aquele de contos. Logo, logo.

Uma Carta de Amor; Guia aleatório de Paris; Uma Estrangeira na França

O famoso restaurante La Palette, em Paris. Fica cheio a tarde toda, e as mesas estão oficiosamente reservadas para os habitués

Tenho falado com a equipe do Kindle Direct Publishing todos os dias. No último e-mail, eles me disseram que detalhes sobre o formato do meu Kindle Book só serão acertados mesmo uma vez submetido o manuscrito (ele pode ficar até 72h em aprovação). Minha intenção era publicar Uma Estrangeira na França em português, e alguns contos também em francês. Mas agora já não sei mais, pois traduzir todo o livro para o francês daria muito trabalho, e me impediria de cumprir o prazo que estipulei para a publicação (bom, pelo menos para o envio à Amazon): 17 de agosto, véspera da minha viagem para a Europa. E é bem possível que a Amazon desaprove esse sistema aleatório de tradução.

De qualquer forma, decidi publicar aqui (abaixo) um desses mini-contos. Intitulado Uma Carta de Amor, foi um dever nosso para a aula de Atélier d’Écriture. A inspiração é um sonho que tive. Publicarei a primeira versão traduzida por aqui, logo, logo.

Estou organizando os textos, quase uma colcha de retalhos de minha viagem à Europa. Ainda não há uma divisão definida, mas quero falar dos encontros (rencontres), das viagens e lugares (ie, há um texto para Montpellier, outro para Paris, outro para Nîmes, para a Provença, para Antibes, assim como outras cidades europeias que visitei no período, Londres e Madri), e da ficção cultivada por lá. A maioria dos textos está pronta, falta organizá-los numa unidade, ou então o pessoal da Amazon vai me barrar (os self-authors precisam definir 2 categorias para seus livros. Relatos de viagem e ficção?).

O texto sobre Paris, por exemplo, será um mini guia aleatório, começando com a minha chegada à cidade em luz em outubro de 2010. Embora estivéssemos em pleno outono, fazia um belo dia de primavera, e eu que tinha visitado Paris pela (única e) última vez em 1995, não sabia sequer me deslocar na cidade. Perdi mais de 1h perdida pelo metrô, até que decidir andar, de mala e cuia, do Pont Neuf até a papelaria Sennelier, passando pelo Musée D’Orsay, pelo restaurante La Palette, por todo o bairro de Saint Germain. Foi lindo e inspirador. Comi e bebi um rápido vinho em cada um dos cafés inflacionados, só de turistada, depois fui andando pela Rue de Rivoli, passando pela Place de L’Ópera, pela Place Vendôme, até chegar ao meu hotel na Madeleine. E eu, que havia chegado em Montpellier dizendo que não moraria em Paris por nada desse mundo, já estava deslumbrada.

Une Lettre d’Amour

J’ai rêvé de toi.

Tu es arrivé un beau matin. Tu es entré. Tu as monté les escaliers. À l’étage, tu m’as trouvée dans la chambre, à droite. Tu y es entré. Tu t’es assis sur mon lit. Moi, je me peignais devant le miroir.

Je ne dis rien, je ne me tourne pas vers toi.

En prenant mon vieux cahier, tu commences à lire. Tu lis longtemps mais je n’écoute rien. Je regarde le vent qui joue avec tes cheveux, tes yeux châtaigne qui deviennent verts sous la lumière orange. Je souris derrière mon maquillage, à travers le miroir. Je pense à toi.

Tu arrêtes de lire, tu te lèves, tu fermes les fenêtres, tu éteins les lumières. Tu te déshabilles et tu marches vers moi, lentement. Tu me dis : « Dis-moi ‘je t’aime’ », et je te le dis. « Déshabille-toi. ». Et je me déshabille.  Et, finalement, on s’allonge sur le lit.

Le temps passe vite mais on n’allume jamais de lumière. Tu sais tout ce que je pense et moi, je devine tes envies. « On vit dans l’ombre ! », me dis-tu, « On a supprimé le concept de la lumière ». Je ris. Le temps passe vite et un matin je me lève, je m’assois devant le miroir. Que j’ai vieilli ! Ma peau est devenue toute grossière. Mes yeux sont ceux d’une vieille !

Je vais te chercher sur le lit. Toi aussi, tu as blanchi. Je te touche le cou mais tu ne respires plus.

Horrifiée, je me réveille.

Je sors de la chambre et, en parcourant la maison, j’allume toutes les lumières. J’ouvre toutes les fenêtres. Qu’il fait beau ! Ah si j’avais eu plus de temps, si j’avais pu te regarder vieillir. Si j’avais pu vivre plutôt que deviner !

Et là, je rentre dans notre chambre et je te vois, aussi jeune que la première fois. Alors, je me souviens : tu n’es arrivé qu’hier soir.

« Il fait beau», me dis-tu en souriant.

Para quem quer publicar ou ler no Kindle:

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Aluguel de livros Kindle

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A Amazon começou com o aluguel e o empréstimo de livros há alguns meses.

A ideia era genial. Primeiro, você podia alugar o livro que quisesse, pelo tempo que determinasse, pagando só por este período. E se ao fim do período você decidisse comprar o livro, isso também era possível, pagando a diferença, claro. Era como comprar um paperback barato, que você só pretende ler uma vez e depois passar adiante. E as editoras selecionaram títulos assim: best-sellers, livros populares (os 3 de Stieg Larsson estavam disponíveis na época).

Segundo, você podia emprestar livros, disponíveis na sua biblioteca Kindle. Como temos 2 Kindles em casa, essa opção era ótima. Depois de ler um livro, poderia passá-lo para Tomás, e vice-versa. E assim poderíamos, finalmente, utilizar duas contas na Amazon (hoje os Kindles estão registrados na minha, porque não faz nenhum sentido pagar pelo mesmo livro 2 vezes).

Pois é, mas nenhuma dessas opções estava disponível para usuários brasileiros. Escrevi para a Amazon reclamando, dizendo que não fazia sentido algum restringir funções de acordo com a geografia física. Eles me responderam que a decisão era das editoras e ficou por isso mesmo.

Mas essa semana tive uma ótima surpresa. O aluguel de livros já está disponível, para alguns títulos — geralmente títulos que ultrapassam o preço médio unitário de 10 USD. Já aluguei 2 e recomendo. Para saber mais, clique aqui.