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Uma Estrangeira na França: Meu Primeiro Livro Kindle

Ontem finalmente publiquei meu livro pela KDP, a plataforma de autopublicação da Amazon. Foram meses e meses de espera, pensando se deveria ou não terminar a versão em português antes para oferecer uma versão bilingue ou ainda incluir outros textos, em francês. Será que não era curto demais? Ou pedante demais? Publicar assim em francês quase três anos depois da minha volta ao Brasil?

Contei com a ajuda da minha antiga professora Marie-Laure Bousquet, do Instituto IEFE, em Montpellier, para organizar e revisar meus textos, produzidos durante o atelier de escrita da Universidade. Trata-se de uma primeira investigação sobre o estrangeiro na literatura francófona (depois explico mais sobre o projeto e sobre a capa). O livro tem apenas 25 páginas, e está disponível em todas as lojas da Amazon (veja aqui os links para venda na loja brasileira, francesa e americana).

Publicar é necessário. E hoje estou muito, mas muito feliz em ter colocado essa obra diminuta “no ar”. A plataforma de autopublicação da Amazon é um sonho. Mesmo. Tão simples, tão didática, tão intuitiva que não dá para entender como algumas editoras conseguem subir livros com tantos erros (de diagramação, digitação e, olha, até gramática e concordância). Quer mudar alguma coisa na capa? No texto também? A KDP converte seu arquivo HTM ou HTML (que nada mais é do que um .doc ou .docx limpo e bem formatado salvo como HTML) na hora, e o seu produto é atualizado algumas horas depois na loja. Dá para publicar em todas as lojas do mundo e até especificar preços ligeiramente diferentes para lojas-chave e escolher o regime de royalties (obedecendo, é claro, a algumas regras pré-estabelecidas). Acho que a autopublicação promete mudar a forma como produzimos e consumimos literatura, que nada mais é do que estender a uma esfera dita mais nobre o que já está acontecendo em todas as outras. E fico sem dormir de tão excitada só de pensar em tudo o que podemos fazer quando participamos ativamente de todas as etapas de produção e consumo de arte e conhecimento.

O site é extremamente didático (só clicar aqui). Quem usa Mac (como eu), pode ter algumas dificuldades ao formatar o índice, mas nada que não seja resolvido depois de ver alguns tutoriais na Internet. O livro fica mesmo disponível em poucas horas e recomendo a todos que têm algum texto guardado na gaveta que experimentem. Publiquem um capítulo, um teaser — há vários contos de dez páginas publicados como Kindle Single. Não custa nada.

Despedida em Paris; Como comprar (melhor) na Amazon; Bolaño e os escritores de contos

Café La Palette, na Rive Gauche, em Paris

Café La Palette, na Rive Gauche, em Paris

Há alguns dias, tive uma ideia para um livro curto, um “short novel”, como dizem os americanos. A ideia ainda é bastante incipiente, e surgiu enquanto eu lia Beauvoir in Love, de Irène Frain. Queria imaginar como seria a nossa despedida de solteiro (minha e de Tomás, juntos), em Paris, cidade que está me dando a maior saudade. E como narraríamos essa despedida, imaginando, descrevendo e vivendo o passo a passo. Talvez o livro nunca vá além dessa ideia, mas por enquanto gosto bastante dela.

Ah, e este era o post que estava “protegido” há alguns dias e hoje resolvi publicar para todo mundo:

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Era a nossa primeira vez em Paris na primavera. Deixamos as malas no hotel, na Madeleine, e começamos o tour. Atravessamos o Pont Neuf e tentamos percorrer os caminhos da Rive Gauche que havíamos feito, rapidamente, mais de um ano antes. Eu usava uma maquiagem discreta e um daqueles vestidos pretos sequinhos, o cabelo preso para trás, a câmera Lomo no colo. Tirei da bolsa dois cadernos pretos idênticos e pequenos, com capa de couro, sem pauta. Entreguei um deles para você. Nelson Algren havia feito a mesma coisa com Simone de Beauvoir mais de cinquenta anos antes. Foi assim que eu tive a ideia para a nossa despedida em Paris. Sentados no Café La Palette, você escreveu o meu nome na primeira página de um caderno, e eu escrevi o seu no outro. Ao longo do dia, escrevemos, ao mesmo tempo, sobre coisas muito diferentes, por exemplo, eu tentei adivinhar o que o casal do outro lado da rua discutia, já você comentou sobre a menina loira de vestido florido a algumas mesas da nossa. Depois você disse, “como você está linda”.

Toda manhã nós trocávamos de caderno, até que um dia cada um de nós ficou com o caderno com o próprio nome. Era uma dedicatória à nossa primeira despedida de amor, de solteiros. E agora, abrindo o caderno, eu leio…

*

Como todo mundo que lê esse blog sabe, faz quase dois anos que eu leio — e muito — no Kindle. Geralmente leio em inglês mesmo, porque me identifico bastante com a literatura anglófona, mas também leio bastante em francês, português e espanhol. Quando comprei meu primeiro Kindle, a Amazon ainda não tinha loja na França, e mesmo assim nós leitores podíamos encontrar obras da literatura clássica francesa (meia dúzia de boas almas havia feito o upload dos livros em domínio público). Logo que foi lançada, a loja oferecia principalmente livros comerciais (e muitas vezes americanos) traduzidos para o francês, livros que eu provavelmente leria (ou lia) em inglês mesmo. Mas há alguns dias descobri que livros nacionais, publicados recentemente, já estavam sendo vendidos na Amazon.fr. Inclusive o livro de Emmanuel Carrère, D’Autres Vies que la Mienne (leia post aqui), que terminei de ler, em inglês, há pouquíssimos dias. Fui tentar comprar e não consegui, porque para isso são necessários dois passos simples (pero no mucho): mudar a configuração de país para França (o que eu fiz prontamente) e transferir a sua conta para a Amazon.fr (o que eu não fiz).

Se até agora não mudei minha conta para Amazon.com.br, certamente não mudaria para a Amazon.fr por impulso. Mas aquilo foi me deixando bem chateada com a Amazon, que é uma de minhas empresas — e plataformas — preferidas no mundo todo. Desde que a loja brasileira foi lançada, vários livros da loja americana se tornaram indisponíveis para residentes no Brasil, por causa do gerenciamento de direitos autorais feito pelas editoras. The Hobbit, livros de Julian Barnes, Agatha Christie e da trilogia de Cinquenta Tons. Isso sem falar nos audiobooks. Decidi conversar com um dos atendentes por chat e ele me sugeriu o que eu nunca havia tido coragem de fazer: mudar a minha configuração de país para Estados Unidos.

Basta mudar para Estados Unidos, e todos os livros — e ebooks — ficam disponíveis de novo. Em teoria, você também pode transferir e retransferir sua contas quantas vezes quiser (de Amazon.com para .com.br para .fr) e tudo volta ao normal. Se tomar coragem de fazer isso, aviso!

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No site da Paris Review (e em tom de brincadeira), Roberto Bolaño dá dicas a quem quer escrever contos: quem ler e quem não ler, com uma ênfase toda especial em Poe. (Leia aqui). Impossível não lembrar do que Alessandro Baricco disse na Flip de 2008: “quando escrevo ficção, não leio ficção”.

Paris apaixonada, Paris quand il fait beau!

Palácio de Versailles, em fevereiro de 2012. Dia glorioso de inverno

Palácio de Versalhes, em fevereiro de 2012. Dia glorioso de inverno

Paris é sempre Paris. Mas quando você está apaixonada, quand il fait beau, é mais Paris ainda. Havia prometido a mim mesma que não voltaria para a França no inverno e menos ainda no Carnaval. Estava apaixonada por um baiano e convencida de que a minha pátria era a Bahia. Só não podia imaginar que visitar a França com ele poderia ser tão bom. E que na felicidade, a gente carrega a pátria dentro de si. A minha Paris com Tomás é a melhor de todas. Assim como a minha São Paulo, a minha Itacimirim, a minha Itália.

***

Chegamos em Paris no dia 23 de fevereiro de 2012. Tínhamos embarcado em Aix-en-Provence naquela manhã e antes das 10 horas já estávamos na Gare de Lyon. Fomos para o nosso hotel, Le Vignon 8, a algumas quadras da Igreja Madeleine, no 8ème arrondissement, meu bairro favorito em Paris. Já havia ficado em Saint Germain e em outros hotéis da Rive Gauche, mas eles eram caros e nada confortáveis, isso sem falar na calefação central, que não dava para mudar. Deixamos nossas malas, ajustamos a temperatura do quarto para 15 graus Celsius (isso mesmo, para não dar aquele choque térmico na volta) e fomos a pé para as Galeries Laffayette, para fazer nossas comprinhas de chegada. Vinho, champanhe, belisquetes para ter no hotel — além das deliciosas madeleines que nos eram oferecidas todos os dias, bem ao gosto de Proust! E, de quebra, uma sessão maquiagem com uma negra linda, vendedora da Clinique, que usou um sem fim de produtos para me deixar com a cara das francesas.

Almoçamos no Saint Joseph, um restaurante na região, antes de ir para o Louvre. Comemos filet mignon (o autêntico, de carne de porco), com Chablis e foie gras. Tudo uma delícia. E então o Louvre. Fizemos uma visita curta. A Vitória de Samotrácia, a Vênus de Milo, a Mona Lisa, as salas com as esculturas greco-romanas, e os salões com obras dos grandes pintores franceses. Fui perguntar onde estava o Delaroche que tanto havia me impressionado um ano antes, A Jovem Mártir, mas a funcionária me disse que estava em tour, infelizmente.

Voltamos para o hotel passando pela Place Vendôme e pela Place de L’Opèra. Queríamos ir ao Bar Hemingway, mas ainda estava fechado, e tudo o que fizemos foi tirar uma foto em frente à Coluna da Grande Armada, para lembrar de Maurice Chevalier e Amor na Tarde. À noite, nos encontramos com Iuli, amigo de longa data da família de Tomás, que nos levou ao Marais e mostrou muito da Rive Droite, passando inclusive pelo Centre Georges Pompidou, que Tomás tanto queria visitar. Jantamos no Le Petit Marcel, um restaurante delicioso, e tomamos o vinho da casa, também excelente.

Na manhã seguinte, Versalhes. Saímos um pouco atrasados (e atrapalhados) com o metrô de Paris. Visitamos o Palácio e, quando descemos, que surpresa! Estávamos em pleno inverno e fazia um dia glorioso de primavera. Eles nem cobraram entrada para os jardins, já que as esculturas estavam todas cobertas e não havia espetáculo das grandes eaux. Versalhes era quase só nossa, passeando entre as fontes e os lagos, tirando foto dos cisnes e dos mini labirintos charmosos. Tinha até uma barraca de pommes de terre, o equivalente a nossas barraquinhas de cachorro-quente, imagino — e lá compramos duas garrafas de 250mL de vinho branco. O moço fez o maior sucesso. Quem imaginaria que em pleno inverno, eles abririam os jardins e ele venderia tanto?

Dali voltamos para Paris. Compramos pães, queijo e foie gras com vinho, para comer com as madeleines antes de se arrumar para o teatro. O teatro era o Théatre Madeleine e a peça, Oh Les Beaux Jours, escrita por Beckett em inglês em 1961, quando ele já escrevia quase que exclusivamente em francês. São dois personagens, Winnie e Willie, uma cinquentona e um sessentão, provavelmente casados. Ela está enterrada até o colo em um monte de terra, mas todos os dias acorda dizendo: “Oh, mais um dia maravilhoso”, faz sua toilette e tenta dizer a Willie o que fazer com o seu dia. O primeiro ato é uma construção repetitiva para nos preparar para o segundo, em que Winnie, agora com os braços também imobilizados — tetraplégica — e Willie compartilham um momento ambíguo. Beckett disse que a peça fala dos momentos lentos que levam à morte, quando o tempo começa a passar mais devagar. E até hoje não consigo me livrar do eco de “Willieee”, que servia de compasso às falas de Winnie.

Tomamos champanhe no metrô, fomos para a Champs-Elysées e então para Saint Germain. Jantamos e tomamos um drink de mais de um litro no Le Petit Café, perto do Boulevard. Depois terminamos a noite numa discoteca perto dos Champs-Elysées de nome já esquecido.

Acordamos tarde no sábado, fomos almoçar com Iuli num restaurante italiano e passeamos pelo Marché des Enfants Rouges. De lá, atravessamos para a Rive Gauche a pé, passamos por um circo montado, pelos bouquinistes do Pont Neuf, por quase toda Paris, até chegar ao Musée d’Orsay. Só tivemos meia hora lá, foi a visita mais rápida possível aos impressionistas — privilegiando Van Gogh, naturalmente. E foi aí que nosso passeio perdeu o rumo e ficou ainda mais interessante. Tentei refazer o caminho de uma antiga lista de outro amigo, passamos pelo La Palette, pelas galerias de arte, por tudo que dá mais charme à Rive Gauche, até chegar, por acaso, a uma loja de vinhos chamada La Dernière Goute. Uma americana radicada há muito tempo na França nos vendeu alguns vinhos e depois falou que havia escrito um livro, Guia da Paris Impressionista, editado pela Record aqui no Brasil (o nome da escritora é Patty Laurie). Ela nos deu o livro de presente e de lá fomos, sem querer, para Les Deux Magots, que havia sido tão recomendado por todo mundo aqui no Brasil. Bebemos um excelente Bourgogne e saímos correndo para a Igreja Madeleine, para o concerto das Quatro Estações de Vivaldi. Fomos os últimos a entrar, acho.

Minha vó me disse que adora a igreja e certamente nos levou lá há mais de quinze anos. A Madeleine é o lugar onde mais gosto de ficar em Paris. Saindo de lá, fomos jantar num restaurante de bairro, despretensioso, Le Roi du Pot au Feu. A cozinha estava fechada, mas ele nos serviu o prato da casa — pot au feu, parecido com o nosso cozido –e o vinho da casa, melhor do que muito vinho internacional, e até francês, que já bebi. Já estava chegando a hora de se despedir. No dia seguinte, visitamos a Tour Eiffel e o Arco do Triunfo, e almoçamos no café do George V, na Champs-Elysées. Foram quatro dias gloriosos de sol, na Paris mais apaixonante. Em fevereiro, vai fazer um ano já. Que saudades. Quem sabe eu não compre meu vestido de noiva lá?

Paris é para sempre

Madeleine, Paris.

Madeleine, Paris.

Morei na França durante quase um ano mas só visitei Paris cinco vezes em toda a vida. Pouco. Mas muito. Da primeira à última, dos 14 aos 30, vivi tanta coisa diferente ali, com tanta gente! Minha vó e prima tão amadas, meus melhores amigos, o amor da minha vida. Fui para lá na primavera, no outono, no inverno, agora só falta conhecer Paris no verão.

É difícil escrever sobre Paris. Tentei lembrar como pude de todas as viagens. Da primeira, apenas fragmentos, mas desconfio que o relato completo esteja perdido em um dos meus diários antigos. Se encontrar algo mais do que uma lista de obras e artistas (mania que tinha na época), prometo transcrever os trechos aqui. Reservei um post especial para a última visita, com Tomás, em fevereiro de 2012 (que você pode ler aqui). Ainda transbordo de felicidade pensando que ele conheceu a França comigo, seis meses depois de nosso primeiro encontro. Fizemos um pouco de tudo, e mais. Os museus, a vida noturna, uma Versailles deslumbrante em pleno inverno, ópera na Madeleine, Beckett no teatro, vinhos, champanhes, Marais, bistrôs de bairro, Tour Eiffel à meia noite. Dá até para dizer que as visitas anteriores me conduziram a esta.

***

Conheci Paris aos 14. Lembro que chegamos cedo ao hotel e nosso quarto ainda nem estava liberado. Amontoamos nossas bagagens no alto de uma estante, lá na recepção mesmo, e seguimos para o Louvre. Minha vó, prima e eu estávamos exaustas, e ficamos naquela fila interminável, de frente para a pirâmide, comendo os chocolates que havíamos comprado em Londres. Era abril mas estava chovendo, e por muito tempo lembraria de Paris assim. Naquele dia, a Monalisa não me impressionou muito, mas a Grande Esfinge do Tânis, sim. Lembro que minha vó e eu nos sentamos e ela me contou essa história. Pensei em Sófocles e Édipo e pensaria neles depois, ao ler Cocteau. Queríamos ver a Vitória de Samotrácia e a Vênus de Milo, preferidas absolutas da minha avó e, mesmo com toda aquela expectativa, toda aquela antecipação — o grande corredor para uma, a grande escadaria para a outra — fiquei encantada. Até hoje, dão frio na barriga. Como Paris.

Ficamos apenas três dias na cidade. Minhas memórias são inexatas. Caminhando ao longo da Champs Elysées, jantando num restaurante perto do hotel, comprando baguetes na padaria, falando em francês nos pontos turísticos. A Notre Dame. A Queda da Bastilha. O jardim de Versalhes. Um sorvete de bolinhas coloridas comprado na banca de revista. Rodin e seu Beijo, seu Balzac, seu Pensador. Ah, a Place Vendôme! A Tour Eiffel. Os árabes. Os croissants.

Voltei no outono, em outubro, em um dos dias mais bonitos que já vivi na cidade luz. Tomei o TGV de Montpellier e cheguei mais ou menos umas cinco horas da tarde. Meu melhor amigo chegaria de Genebra à noite, e eu tinha o fim de tarde livre. Nem passei no hotel, fui direto da estação para o Pont Neuf e percorri a Rive Gauche com uma lista que outro amigo havia feito especialmente para mim, com os restaurantes, bares, livrarias e espaços não-demarcados que eu precisava conhecer. Ele me disse, por exemplo, que eu deveria ler no Palais Royal. Passei vários dias procurando onde exatamente, até que ele me esclareceu que o seu local preferido não era um lugar.

Andei às margens do Sena, parando em cada uma das barracas dos chamados “bouquinistes” para ver os livros ou os cartões-postais da Nouvelle Vague. Passei pela Sennelier, no Quai Voltaire, e comprei alguns cadernos pretos, de papelão, que uso até hoje para os escritos de ocasião. Na volta, parei na La Palette, onde ele havia me dito que eu devia tomar um Brouilly. Era um pedacinho tão charmoso de Paris, com as lojas de arte, os carros-esporte. E a apenas alguns minutinhos da Shakespeare & Co., a grande livraria de língua inglesa da cidade. Comprei Beginners, de Raymond Carver, obra que também foi publicada sob o título What We Talk About When We Talk About Love. Foi o único livro que li do autor.

Atravessei a ponte mais uma vez, parei num café qualquer para mais uma taça de vinho e aí percorri a Rue de Rivoli, parando na Place de L’Opèra e na fantástica Place Vendôme. O hotel ficava a algumas quadras da Madeleine. Achei a igreja maravilhosa e nem lembrava de tê-la visto na primeira visita. Quando Pedro chegou, fomos jantar e então andamos às margens do Sena, à meia noite. A cada ponte, jovens e belos universitários bebiam diretamente da garrafa, ao lado dos “flics”, gíria francesa para policiais. E eu nem sabia que Paris tinha tantas pontes lindas!

Pedro me mostrou quase toda Paris, a pé. Não fomos a nenhum museu, a nenhuma atração turística, mas comemos e bebemos maravilhosamente bem (recomendo um restaurante em frente à Madeleine, Maison de la Truffe), e andamos, muito. Foram três dias de sol, uma benção para Paris no outono. No meio da tarde, parávamos em um café qualquer para tomar o famoso pastis Ricard. E foi caminhando no Champs Elysées, em direção ao Arco do Triunfo, que conheci a Ladurée, única marca de macarrons de que realmente gosto (e que tem loja lá no JK).

Voltei duas semanas depois, com Amélia. Logo no primeiro dia, fomos ao Café Hugo na Place des Voges,  depois no bar do hotel Ritz — aquele que fica em frente ao Hemingway, que está sempre cheio. Tomamos o drink mais caro de toda a viagem, um coquetel de champanhe de 30 euros. E vivemos uma das experiências mais divertidas e inusitadas: fizemos um verdadeiro book fotográfico no Ritz! Subindo e descendo as escadas, sentadas na poltrona, admirando os quadros. Nem sei como não nos expulsaram dali!

O programa da sexta-feira era o Castelo de Versalhes. O melhor momento foi quando a chuva parou e eles começaram a vender ingressos para os jardins. Eles e suas “grandes eaux” são das coisas de que mais gosto em Paris. Nós passeamos para caramba e temos fotos demais para provar. Havia comprado nossos ingressos para uma peça de Chekov, Tio Vanya. Tinha lido a peça antes de embarcar para a França e estava louca para vê-la em francês. Fomos ao teatro Louis-Jouvet e ficamos muito bem impressionadas, mas o texto era difícil, por isso Amelinha nem aproveitou tanto.

Para terminar a noite, o Polidor. Esse restaurante tem uma história curiosa. Aliás, duas. Uma vem de Hollywood. O lugar ficou famoso depois do filme de Woody Allen, Meia Noite em Paris. Não sei se ele faz uma menção nominal ao lugar em que o protagonista conversa com Hemingway, mas sei que o restaurante desaparece no fim. Na verdade, ele continua lá, na rua Monsieur Le Prince, 75006, desde 1845. Vale a visita. A comida é espetacular, e como Hugo me disse na época, “ultra-parisiense, sem a fama, ou os preços” de outros restaurantes da cidade. A comida era mesmo fantástica, e a atmosfera, Paris de cima a baixo. A garçonete que nos atendeu tinha uns 70 anos, cabelos curtinhos e loiros, antipática. E o banheiro era turco: um buraco no chão. Achando que havia me enganado, perguntei algumas vezes aos funcionários onde eram os toilettes depois, sem dar jeito, voltamos para o hotel — e que gostoso caminhar e se perder por Paris à meia noite!

Mas vale a pena visitar o Polidor, sempre. Voltei lá em dezembro, com Faffy. A nossa viagem foi diferente, por causa do frio e do meu momento — estávamos em quatro. Já morava há quatro meses em Montpellier, mas não havia me adaptado nem ao frio nem a outros aspectos de minha vida francesa. Mas nós fomos ao Louvre, a bons restaurantes e à Notre Dame. Paris sempre deixa saudades. Até na tristeza.

***

Amelinha me pediu para incluir um dos momentos mais divertidos de nossa viagem, na Place de L’Opèra. Tínhamos comprado um daqueles guarda-chuvas bem sem vergonha, que dificilmente duram mais do que um dia. De repente começou a chover pra caramba, todo mundo buscou abrigo embaixo da Opéra de Paris, e nossos guarda-chuvas se desmantelaram no ar. Fizemos de tudo para registrar este momento com uma foto, mas não houve jeito. A chuva, o evento, todo mundo encharcado. Sempre que lembro desse momento, dou risada sozinha, como imagino que Amelinha também faça.

Meu caso de amor com o Kindle; Halloween; Penguin e Random House

Kindle em suas versões Touch (cinza) e Paperwhite (preto). Os dois são muito bons, mas o novo modelo é ainda melhor, com um sistema de iluminação quase perfeito, uma caixa robusta e resistente, e um touchscreen que funciona bem. Mesmo.

Hoje recebi o meu Kindle Paperwhite, que veio por encomenda, diretamente dos Estados Unidos, quase um mês depois do lançamento do produto em solo americano.

É o meu terceiro Kindle em 18 meses. Comprei o primeiro em maio do ano passado, pouco antes de voltar para o Brasil, numa época em que ia quase todos os dias à Gilbert & Joseph negociar algum valor por algum livro. Desfiz-me de títulos incalculáveis, e outros tantos mandei pro Brasil numa caixa, a um preço abusivo (esses eram livros caros que eu havia levado para a França ou pedido para alguém levar). Livro na França era barato. Já nas primeiras semanas por lá, tinha visto um mendigo, sentado na entrada de uma loja, lendo um volume em capa dura. Que civilização literária!, pensei. Eram tão baratos e tão disponíveis que dava para comprar um livro com o troco do maço de cigarro. Mas, alas, eu não podia levá-los de volta para o Brasil.

As meninas inglesas da universidade andavam com seus Kindles a tiracolo. Resolvi experimentar. Na época, a Amazon ainda nem vendia na França. Encomendei no site, paguei 60 USD a mais e aguardei. Em apenas 4 dias, meu e-reader (Kindle Keyboard) já estava lá. Foi meu companheiro inseparável nas últimas semanas francesas. Fomos juntos para todas as praias, do Languedoc à Riviera, lemos George Steiner e Baudelaire e, chegando ao Brasil, Wilkie Collins. Ele só tinha um probleminha. Quando faltava luz, não dava para ler. Aí o jeito era apelar para os Text-to-Speech e para os Audiobooks (como as palestras de Richard Feynman).

Apresentei o Kindle a Tomás, que gostou da ideia e em novembro de 2011, quando ele viajou para os EUA, encomendei 2 novíssimos Kindle Touch. Primeiro, fiquei decepcionada, por incrível que pareça. Coloquei na cabeça que refletia luz, que não era tão bom, mas assim que me acostumei, nunca mais desgrudei. O Touch era infinitamente superior ao Keyboard. A experiência da leitura tinha se tornado quase íntima de tão próxima, e eu já não precisava me preocupar com mais nada quando estava lendo. Compramos umas mini luzinhas para leitura, que quebravam um galho quando faltava luz, ou quando eu lia madrugada adentro. Depois, compramos capas com luz embutida, que utilizavam a própria bateria do Kindle para funcionar (a bateria dura “quase” para sempre, na cronologia dos bytes), uma libertação.

Estava tão feliz com o Kindle e com a Amazon — que inclusive mandou um Kindle substituto depois que eu manchei o meu na praia — que nem esperava que criassem algo melhor. Aí veio o Kindle Paperwhite.

Ele tem quase o mesmo design do Touch, mas o tato é bem diferente. É mais robusto e bem-acabado, arrojado. Estava receosa quanto ao sistema de iluminação, a tal da built-in light (veja aqui), mas funciona muito bem. E você pode mudar a quantidade de luz na hora em que quiser. Como a Amazon explica no site, a luz reflete sobre a tela e não sobre os seus olhos, então o efeito anti-glare continua valendo. Ele é ligeiramente menor e mais leve, e o primeiro Kindle realmente Touch (não tem nem aquele botão da Home, sabe?).

Como nada é perfeito, a depender da configuração de luz escolhida, aparecem algumas manchinhas na parte inferior da tela. Mas nada que incomode a leitura.

Comprei a capinha de couro junto. Uma surpresa boa. Embora a capa da versão anterior viesse com a luz, era bem ruim. Pesada, com acabamento suspeito, pouco prática. A nova é excelente (veja aqui) e vale a compra. Recomendo!

Agora, para quem quer comprar seu Kindle Paperwhite e não está indo para os EUA… recomendo a Dabee. A Amazon ainda não vende diretamente no Brasil e tudo indica que começará vendendo o modelo mais barato da família. Por isso, melhor garantir. O modelo Wifi — bem mais barato — atende às necessidades de quase todos os leitores. A não ser que você viaje muito, e leia muito em trânsito, e não aguente esperar chegar em casa para baixar o livro, nesse caso (o meu), melhor gastar um pouco mais e comprar a versão 3G.

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Ontem foi anunciada a fusão entre Penguin e Random House. O iG, aqui no Brasil, reproduziu uma matéria da agência EFE (leia aqui), sob o título: “Penguin e Random House anunciam fusão para enfrentar desafio digital“. Ainda lembro das longas tardes que passava em livrarias, procurando as mais novas edições de literatura estrangeira em versão original, e hoje, tudo à distância de um toque…

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Halloween. Acompanhei pelo Facebook alguns vídeos e galerias de imagens de festas muito bacanas. Fiquei triste que não consegui ir a nenhuma. Na época em que eu era adolescente, essas festas estavam restritas a escolinhas de inglês e colégios bilingues. Agora, parece que estão por toda parte. Será o mundo globalizado?

O escritor e (é) o estrangeiro; O convite à viagem

Dia de Canoagem, numa cidade próxima a Montpellier. Na França, tudo é viagem; e todos, estrangeiros

Queria uma revista de noivas mas achei a edição de Julho e Agosto da Le Magazine Littéraire. O tema, “L’invitation au voyage” (O Convite à viagem), com (grandes) escritores como Montaigne, Sand, Jules Verne, Gide, Kerouac, Le Clézio, George Sand, Bruce Chatwin.

É uma das mais importantes revistas francesas do panorama literário e, nos meus primeiros meses de Montpellier, andei com um de seus números para cima e para baixo. Quase obscena, a edição sobre o hedonismo trazia na capa  uma pintura famosa de uma mulher inteiramente nua.

Mas esta fala do estrangeiro. O estrangeiro parece estar presente em tudo o que é francês, e principalmente em todas as minhas memórias francesas. Muitos desses escritores, só vim a conhecer na França ou depois da França. Bruce Chatwin, o estrangeiro por excelência, já conhecia de nome, mas foi em Montpellier que li o belíssimo On The Black Hill. Cheguei a comprar Songlines, sua obra-prima, mas até hoje não li até o fim. Meu amigo Bertrand, já mencionado em outro post, dizia se tratar do livro mais lindo de todos.

Foi Montesquieu que disse (embora tenha pensado até outro dia que havia sido Montaigne): “As viagens concedem uma grande profundidade ao espírito: saímos do círculo de preconceitos de nosso país, e ainda não estamos prontos para adotar aqueles dos estrangeiros”. A partir dessa frase, construí um dos meus trabalhos na Université Paul-Valéry e dei início à busca muito pessoal pelo estrangeiro. Dali, só foi um pulo para Beckett e seu Dire Je e todos os outros. Em francês, estrangeiro e estranho são palavras muito próximas, com uma grande conexão sonora (étranger e étrange). E estranhamento e estrangeirice são exatamente a mesma (aliás, não há correspondência exata em nossa língua natal: étrangeté.

E nada disso deve ser por acaso pois logo na primeira página encontramos um comentário do jornalista Joseph Macé-Sacron, identificando o caráter indissociavelmente estrangeiro do escritor. Depois ele diz: “A viagem desloca a alma assim como o corpo, e essa participação total permite ao escritor alcançar, além do estranhamento/estrangeirice que atravessa, uma outra dimensão de si mesmo”.

O artigo vale a leitura, lá no site da revista, e o poema de Baudelaire, extraído de Fleurs du Mal, também é ótimo.

L’invitation au voyage – clique aqui para ler a versão em inglês

Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D’aller là-bas vivre ensemble!
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l’ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l’âme en secret
Sa douce langue natale.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l’humeur est vagabonde;
C’est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu’ils viennent du bout du monde.
— Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D’hyacinthe et d’or;
Le monde s’endort
Dans une chaude lumière.

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

— Charles Baudelaire

O Gosto da França; Uma Estrangeira na França

Ingredientes do meu primeiro jantar francês. Croustillants à la Poire et à la Fourme d’Ambert, Kir Royal e Boeuf Bourguignon

Mais um capítulo do livro Uma Estrangeira na França, agora sobre os sabores da França. Na versão para o livro, incluirei também as receitas (em português) e os endereços de restaurantes em Montpellier — a cidade e a gastronomia de Paris ganharão texto à parte.

O Gosto da França

Guardo na boca o gosto da França. A baguete do fim-do-dia ou do midi. A manteiga, sempre deliciosa, não importa se tem mais ou menos gordura. Os ovos mexidos que comia às pressas, no horário de almoço da Fac, com um pouco de queijo e jambon. O foie gras, principalmente em versão patê, com torradas finas, salada verde e geleia.

Dava para escrever um livro inteirinho só com esses sabores. A batata gratinada que provei um dia, nem lembro mais onde, e reconheci imediatamente quando jantei no Le Marais, na Rua Jerônimo da Veiga, aqui em São Paulo. Os escargots, os moules, que decidi provar em fins de semana de aventura, acompanhada de gente que entendia mais do assunto do que eu. O Martini Bianco de tantas tardes de outono, que não era bom, mas também não chegava a ser ruim, e tinha a vantagem de custar apenas 3 euros. O Bourgogne que tomei quando cozinhei pela primeira vez, boeuf bourguignon! O sanglier de Sophie – ela dizia não fazer grandes coisas na cozinha, mas preparava pratos deliciosos, até hoje me lembro da ratatouille e da lasanha de soja. Foi ela quem despertou em mim a ideia de cuisine française. Uma cozinha sazonal – uma vez dissuadiu-me de comprar framboesas no supermercado porque já estávamos no outono – e pessoal – sempre cozinhava para si, mesmo quando não tinha tempo, nem que fizesse ovos fritos.

Dava prazer ver a intimidade do francês com a comida. Quando começavam a cortar as verduras, os legumes, para as sopas, por exemplo – Alex, marido de minha amiga Flávia, tem intolerância ao glúten e não pode comer queijo, mas fazia as sopas mais deliciosas. Ou a cozinha toda especialista de Vania, minha co-boadrasta, como costumava chamá-la. O primeiro pain d’épices de Sophie causou alvoroço. Repeti a receita outras três vezes, e trouxe um dos temperos para casa, na mala, mas nunca fiz.

Foi lá que cozinhei pela primeira vez. Em janeiro de 2011, Sophie viajou durante um mês inteiro e eu fiquei sozinha em seu apartamento. Aí decidi experimentar algumas receitas do livro Cozinha Provençal (French Provincial Cooking), da inglesa Elizabeth David. A obra tinha sido um presente de um amigo, alguns dias antes de eu embarcar. Hoje nossa amizade já não é mais a mesma coisa, mas na época ele me disse que se tratava da melhor introdução à cultura francesa que conhecia. Tinha lido o livro pela primeira vez quando era bem mais jovem do que. “Leia do início ao fim” foi sua recomendação máxima.

Para o primeiro jantar, escolhi o Boeuf Bourguignon já mencionado. Meu amigo disse que Ms David provavelmente sugeriria o Daube Provençal, mas resolvi optar por um prato que conhecia desde criança. Como o livro era em inglês e eu não tinha conhecimento algum sobre cozinha, tive de pesquisar na Internet para encontrar os termos equivalentes em francês. Isso foi o que deu mais trabalho. Ligava para minha avó por Skype várias vezes ao dia, e algumas vezes nem ela sabia a resposta. A verdade é que alguns temperos só existem na França. Ela também me enviou sua própria receita. A versão final virou uma mistura, considerando o que funcionou no dia porque, por incrível que pareça, funcionou. O boeuf bourguignon ficou delicioso. Tomei uma garrafa de vinho durante o processo, os pedaços de carne ficaram quase simétricos, e o fogo se comportou direitinho. Mas logo nesse primeiro dia, entendi que meu negócio era outro. A sobremesa – a mousse au chocolat à l’orange estava divina, feita com o excelente Grand Marnier e o melhor chocolate Lindt amargo, 43% de cacau – e os drinks, preparados com a mesma bebida e uma grande variedade de sucos.

Os jantares geralmente aconteciam às sextas-feiras. Tive a oportunidade de experimentar mais algumas receitas. Para sobremesa, sorbet au citron e pain d’épices, que ficaram muito bons, e um crepe, que não ficou lá essas coisas. O magret de canard não funcionou, mas os gratinados sim, e minha receita máxima acabou sendo o Poulet à la Ciboulette, que devo ter feito pelo menos umas dez vezes entre janeiro e junho, quando embarquei de volta para o Brasil. A ciboulette não existe aqui, nem o échalotte, e virou uma aventura encontrar os ingredientes que pudessem substituí-los.

Antes de viajar, folheando a obra de David, tinha uma ideia toda sofisticada do que seria a cozinha na França, mas os sabores que ficaram foram realmente os mais simples. O pão, a manteiga, os ovos mexidos. Fico com água na boca sempre que me lembro do sanduíche de Charolais de 2 euros que comprava no Mc Donald’s da Place de la Comédie quando não tinha tempo de comer outra coisa. Era minha carne favorita, inclusive nos restaurantes (como o excelente La Chistera). O queijo de cabra, curado, fresco, do jeito que fosse, era irresistivelmente barato e me acompanhava durante todo o dia: no café-da-manhã, no almoço, no lanche da tarde. Na primavera, gostava de sentar a uma mesa qualquer, no meio da tarde, e almoçar aquela salada com foie gras. Mas a primavera, que chegou deslumbrante – um espetáculo assistir ao aparecimento de flores por toda a cidade– trouxe também muitas saudades. E de repente já não fazia mais as receitas francesas, mas a torta negra que aprendi com Ludmila e que conquistaria os franceses para sempre.

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